Decidimos assistir alguns filmes no andar debaixo.
“Podemos comprar pipoca primeiro?”, perguntei.
“Claro, farei isso enquanto você escolhe um filme.” Deslizei pela lista; havia tantas opções que não conseguia me decidir. Fechei os olhos e cliquei em um filme aleatório. Richard se sentou ao meu lado, segurando uma tigela grande de pipoca salgada e com manteiga.
“O que vamos assistir?” Ele perguntou.
“Não tenho certeza. Não consegui decidir, então fechei os olhos e cliquei em um aleatório.”
“Que fofa,” ele disse, sorrindo, e eu respondi com uma risada. No final, descobrimos que era um filme de terror. Eu já estava escondendo o rosto no ombro de Richard, apavorada demais para assistir às cenas mais assustadoras.
“Você pode segurar minha mão se estiver com medo,” ele comentou e eu ri.
“Bem que você queria, né!”
“Claro que quero, e muito,” disse ele, sorrindo. Devolvi o sorriso ao perceber a confiança em sua voz, e logo dei um pulo de susto quando, de repente, o monstro apareceu na tela, capturando e matando o humano que tentava fugir.
“Awnn, neném. O monstro te assustou?” Richard perguntou em um tom brincalhão, balançando minhas pernas sobre as dele, e me abraçando como se eu fosse um bebê. Bati nele, rindo, e deitei minha cabeça em seu peito.
“Shh, não consigo ouvir o filme,” sussurrei; e ele riu.
Estar nos braços de Richard me fazia sentir menos apavorada com o filme. Sanchez, Miranda, Harry e Helena chegaram em casa pouco antes dos créditos finais, sorrindo ao me ver no colo dele. Quando o filme terminou, me levantei e fui falar com eles.
“Peço desculpas por fugir esta manhã, pessoal. Não foi minha intenção preocupar ninguém.”
“Não precisa se desculpar, Luna. Não percebemos o quão novo tudo isso era para você. Sanchez nos contou tudo, e nos sentimos muito mal por tê-la sobrecarregado,” disse Miranda. Em seguida, ela e eu trocamos pequenos sorrisos e nos abraçamos.
“Richard e eu vamos assistir outro filme. Vocês deveriam se juntar a nós.”
“Claro!”, Helena respondeu.
“Sim, é uma ótima ideia!” exclamou Miranda. Os meninos também concordaram e se acomodaram. Richard sorriu e fez um gesto, dando tapinhas em seu colo; ele estava feliz por assistirmos a outro filme, então me aconcheguei nele. Não poderia recusar a oferta, mesmo se quisesse. Seu peitoral atlético e seus braços fortes proporcionavam um local extremamente confortável para deitar. Elas não conseguiam decidir qual filme escolher, então peguei o controle remoto de Miranda e cliquei em algo aleatório novamente. Claro que, para a alegria de todos os meninos, era mais um filme de terror, e para nós, meninas, que definitivamente não éramos as maiores fãs daquele gênero, continuamos gritando, pulando e tremendo de medo; mas o simples fato de estarmos abraçadas aos nossos companheiros fazia tudo valer a pena.
Depois do filme, na hora do jantar, Carolina continuava mal humorada e tentou me evitar o máximo possível. Richard segurou minha mão e me levou para fora, onde passeamos pelo jardim na escuridão.
“Pode fazer uma coisa por mim? Sente-se aqui e feche os olhos, por favor,” ele pediu. Me acomodei com as pernas cruzadas e obedeci ao seu pedido.
“O que você está fazendo?” perguntei.
“Vou me transformar. Você pode manter os olhos fechados enquanto me faz carinho, está bem?” ele disse. De repente, eu estava apreensiva, mas mesmo assim confiei nele. Assenti em concordância e mantive os olhos fechados. Um momento depois, Richard, em sua forma de lobo, roçou amorosamente seu focinho em minhas mãos. Elas estavam trêmulas, e lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Um turbilhão de memórias do dia em que minha mãe morreu inundou minha mente. Ele choramingou, pedindo um sinal de que eu estava bem. O medo de abrir os olhos me dominava, mas seu pelo era tão macio. Cautelosamente, levantei minha mão e acariciei seu rosto fofinho e peludo. Ele estava ofegante, feliz como um cachorro, e seu rabo abanava o chão de excitação. Deixei o pelo deslizar entre meus dedos; minhas duas mãos estavam nas laterais de seu rosto quando do nada ele se aproximou e esfregou o nariz molhado na minha bochecha. Deixei uma risadinha escapar.
“Faz cócegas!” falei rindo. Envolvi meus braços ao redor de seu enorme pescoço, e ele apoiou a cabeça em meu ombro. Esfreguei meu rosto em seu pelo; era tão macio e quente.
“Vou tentar abrir os olhos… Quero ver como você é,” disse. Ele se sentou à minha frente, esperando obedientemente. Abri os olhos lentamente, permitindo que a luz da lua ajustasse minha visão. Exalei maravilhada; ele era o lobo mais impressionante que eu já havia visto. Sua pelagem era longa, preta e elegante; ela cintilava e reluzia sob a luz do luar. Uma sensação de grandeza e poder irradiava dele; sua postura de quatro patas emanava orgulho. Ele cutucou meu rosto com o focinho mantendo-se próximo de mim, desfrutando do calor e da conexão que compartilhávamos.
“Obrigada, Richard,” disse com emoção, uma lágrima escorria pelo meu rosto. Ele choramingou e lambeu minha bochecha.
“Richard! Isso é tão nojento!” Ri enquanto o afastava de mim. Levantei-me e comecei a correr, e ele me perseguiu alegremente. Meus longos cabelos castanhos escuros balançavam ao vento atrás de mim enquanto corria em zigue-zague entre as árvores com Richard, e seu rabo balançava como o de um cachorrinho. Depois de um tempo, sentei-me para recuperar o fôlego. Ele cutucou meu ombro e deu outra lambida na minha bochecha; ri e o empurrei com a mão. Richard fez um gesto com a cabeça apontando para suas costas.

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