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A coitada se tornaria a Luna romance Capítulo 9

Na manhã seguinte, alguém bateu à minha porta, que estava trancada. Eu apenas ignorei.

“Ayla, eu sei que você está aí. Por favor, abra a porta,” Richard implorou. Não querendo ouvir a voz dele, me tranquei no banheiro, preparei um banho e fiquei lá o máximo que pude.

Coloquei uma calça jeans e o moletom mais largo que encontrei; ele quase alcançava meus joelhos. Puxei o capuz sobre a cabeça. Não sabia o motivo, mas isso me fazia sentir invisível; como se fosse capaz de me esconder do mundo. Era uma sensação extremamente reconfortante.

Na décima segunda tentativa, Richard ficou frustrado e pediu ajuda a Miranda.

“É a Miranda, Ayla,” ela anunciou do outro lado da porta. Por mais doce e alegre que ela fosse, eu só queria ficar sozinha.

“Trouxe um almoço para você. Vou deixá-lo na porta,” explicou ela.

A última coisa que eu queria era comer. Meu estômago revirava só de pensar o quão próxima eu havia ficado de Richard. Não conseguia entender por que ele ainda me queria. Eu sabia que era a sua companheira, mas ele já havia afirmado um compromisso com Avanda. Teria ele ao menos sido verdadeiro com alguma coisa que ele me disse? Ou será que esteve brincando comigo e mentindo para mim esse tempo todo?

Após sair do banheiro, atravessei duas belas portas francesas e me sentei na varanda ao lado de um grande vaso de planta, na esperança de que ninguém pudesse me ver. Passei o dia inteiro ouvindo batidas estranhas na porta, algumas vezes de Richard e outras das demais pessoas na casa, e optei por apenas ignorá-las. Sentia um peso constante no coração toda vez que ouvia a dor e o arrependimento na voz dele. Na hora do jantar, foi Helena quem bateu à porta.

“Eu trouxe o jantar para você, Luna. Percebi que seu almoço continua aqui. Ayla, por favor me escute. Sei que você está chateada, e compreendo o motivo, mas Richard está tão angustiado que estamos tendo dificuldades para mantê-lo calmo. Precisamos muito da sua ajuda para tranquilizá-lo antes que ele quebre a casa toda.”

Me sentindo um pouco culpada ao ouvir que Richard estava destruindo o lugar, soltei um suspiro pesado, fui até a porta e a destranquei. Helena, segurando um prato de comida, sorriu para mim.

“Obrigada, Luna.”

“Eu que agradeço, Helena. Estou sem fome. Por favor, me leve até ele.” Ela assentiu.

Eu a segui escada abaixo, onde Richard estava rosnando e jogando uma cadeira na parede; a sala estava uma zona completa. Fiquei ali com os braços cruzados, impressionada com a bagunça que ele estava fazendo antes de farejar o ar e desviar o olhar na minha direção. Ele correu até mim, aliviado. Virei o rosto, evitando contato visual.

“Ayla! Você saiu,” ele disse, ajoelhando-se na minha frente e segurando minhas mãos. Todos estavam nos observando, e Richard começou a chorar. Ele me lançou um olhar de cachorro sem dono; aqueles olhos eram realmente cativantes, e eu estava lutando para me manter firme e não esquecer o motivo de estar brava com ele.

“Ayla, eu nunca quis que Avanda fosse minha companheira ou Luna. Tenho apenas vinte e dois anos. Os mais velhos me disseram que teriam que escolher uma companheira para mim, já que eu ainda não havia encontrado a minha predestinada,” explicou ele.

“Por que você não me contou isso antes?”, questionei.

“Tentei, mas você estava muito chateada e se trancou no seu quarto,” disse ele, olhando para o chão. Me ajoelhei na frente dele.

Um sentimento de culpa me envolveu. “Desculpe. Eu nunca teria me trancado no meu quarto se soubesse disso antes.”

“Tudo bem. Você está aqui agora. Isso é o que importa.” Ele sorriu, segurando meu rosto e acariciando minhas bochechas com os polegares.

“Conversei com Avanda e deixei claro que não daremos continuidade ao acordo. Eu nunca aprovei nada disso. Fui pego de surpresa, pois quando percebi, os mais velhos já haviam organizado tudo por conta própria. Sempre soube que ela tinha uma queda por mim, mas isso nunca foi recíproco,” explicou.

“Avanda vai superar isso com o tempo,” Helena me tranquilizou, e eu acenei em resposta.

“Como está sua cabeça?” Ele perguntou enquanto nos levantávamos do chão.

“Está melhor, agora,” respondi.

“Venha jantar conosco,” disse Richard.

“Achou que vou passar. Estou muito cansada. Vou apenas descansar o resto da noite,” respondi.

“Mas você está de estômago vazio até agora. Coma, e depois você pode ir para a cama,” ele sugeriu. Eu assenti, e nos sentamos à mesa, onde Carolina colocou várias travessas de comida, das quais poderíamos nos servir.

No momento em que me sentei à mesa, Avanda entrou sorrindo. Ela se acomodou, pegou um prato vazio e começou a se servir. Fiquei paralisada com a presença dela, meu garfo congelado no ar, e o clima na mesa toda mudou, tornando-se completamente constrangedor.

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