Noah encara o irmão com firmeza, os olhos brilhando de raiva e fúria, principalmente ao vê-lo tão próximo de Vivienne. Cada detalhe daquela cena parecia uma afronta pessoal, uma provocação silenciosa que Dominic parecia saborear. Ele dá um passo à frente, mas a mão firme de Louis sobre seu ombro e o olhar calmo e calculado de seu tio o fazem parar.
— Cuide da sua vida, Dominic. — Noah vocifera, a voz carregada de rancor, enquanto retira a mão de Louis com um gesto brusco. Ele caminha até a porta, o corpo rígido de raiva, e Dominic, com Vivienne ao lado, recua apenas o suficiente para abrir espaço.
— Noah? — Dominic chama, o tom descontraído carregado de um deboche deliberado. Noah para no ato, virando-se com os punhos cerrados, como se precisasse de todas as forças para se conter. — Parabéns, papai. — Felicita, o tom impregnado de sarcasmo. Um sorriso lento e provocador se espalha em seu rosto, enquanto observa a fúria crescendo nos olhos de Noah, quase como se estivesse se alimentando dela. Ele faz uma pausa deliberada, inclinando levemente a cabeça. — Nossos filhos poderão brincar juntos. — Acrescenta, o tom maliciosamente leve, mas carregado de intenção, tornando suas palavras ainda mais corrosivas. — Aproveite a sensação, irmão. — Conclui, fechando a porta do consultório com calma desafiadora, deixando Noah para trás, em um turbilhão de raiva e frustração, os punhos cerrados e a expressão transbordando ódio contido.
— Dominic, por que você provoca? — Louis pergunta, em tom de repreensão, enquanto retorna para o seu lugar atrás da mesa, os olhos cheios de desaprovação.
— Eu? Provocando? — Rebate, com um sorriso enviesado e um tom teatralmente inocente, antes de lançar um olhar de canto para Vivienne, que permanecia calada. Ele se senta ao lado dela, sua presença firme. — Tio, ela realmente está grávida? — Questiona, sem rodeios, mas com os olhos ainda atentos à Vivienne, como se tentasse captar qualquer reação dela.
— Dominic, você sabe que existe algo chamado sigilo médico. — Responde, a voz firme, mas controlada, enquanto desliza o papel da ultrassonografia e as prescrições na direção de Vivienne, sem desviar o olhar do sobrinho.
Vivienne pega os documentos com delicadeza, mantendo os olhos fixos neles, como se fossem a única coisa no mundo que merecesse sua atenção naquele momento. Dominic, porém, não hesita. Ele se inclina ao lado dela, sem pedir licença, os olhos, capturando imediatamente as orientações com a mesma intensidade com que a observa em outras ocasiões, como se fizesse questão de participar de tudo ao seu lado.
— Os embriões estão se desenvolvendo conforme o esperado e medem cerca de quatro milímetros cada. — Informa, enquanto revisa suas anotações com a precisão de quem não deixa passar nenhum detalhe. — Sua gestação é dicoriônica e apa…
— Pode explicar o que isso significa? — Vivienne interrompe, a voz tranquila, mas com um tom de genuína curiosidade. Ela o encara diretamente, os olhos cheios de expectativa, deixando claro que queria entender tudo com clareza.
— É quando cada bebê tem sua própria placenta. — Explica, com a voz clara e didática, observando atentamente a reação de Vivienne. — Isso pode acontecer de duas formas. Se o óvulo fertilizado se dividir muito cedo, antes da formação da placenta, resultam gêmeos idênticos, que sempre terão o mesmo sexo. Ou, caso dois óvulos diferentes sejam fertilizados ao mesmo tempo, temos gêmeos fraternos, que compartilham cerca de cinquenta por cento do DNA, como irmãos comuns, e podem ser de sexos diferentes. — Faz uma pausa, garantindo que as informações sejam processadas. — Na próxima consulta, quando você estiver com dez semanas, poderemos avaliar melhor a evolução da gestação e confirmar os detalhes. — Informa, em tom sereno, mas objetivo, enquanto observa ambos assimilarem as informações com atenção. — Alguma dúvida? — Pergunta, cruzando as mãos sobre a mesa, enquanto olha de um para o outro.
— Já passei tempo demais com você. Preciso de um tempo longe das suas loucuras. — Responde, com um olhar rápido por cima do ombro, antes de entrar no táxi. A porta se fecha e o veículo se afasta, deixando Dominic parado na calçada, um sorriso lento e intrigado se formando em seus lábios.
— Ah, pequena diabinha, você realmente sabe como ser complicada. — Murmura, caminhando em direção ao seu carro. Talvez aquilo não fosse o que havia planejado, mas um tempo longe dela poderia ser útil. Ele precisaria resolver algumas pendências, afinal.
Dominic dirige pelas ruas com calma, fazendo uma breve parada em seu apartamento para pegar o necessário antes de seguir para seu destino. Ao chegar ao luxuoso condomínio, acessa a recepção com naturalidade, sua presença segura e planejada. Parando diante da porta, ele ajeita o colarinho e toca a campainha, as mãos nos bolsos, enquanto espera.
— Que surpresa, Dom! — Claire exclama, enquanto um sorriso ilumina seus lábios. Seus dedos deslizam pelos cabelos em um gesto que, embora parecesse ensaiado, ainda mantinha uma sedução natural, como se fosse parte de sua essência.
— Parece que falta uma parte. — Dominic comenta, a voz carregada de ironia e um desinteresse deliberado, enquanto seus olhos percorrem o gesto dela com indiferença. Ele retira a mão do bolso lentamente, estendendo o aplique em frente ao rosto dela, balançando-o levemente, como quem entrega algo sem importância.

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