Dominic solta o aplique no chão com um movimento lento e deliberado, esfregando as mãos uma contra a outra, como se quisesse apagar qualquer vestígio de contato. O desprezo em seu gesto é tão evidente quanto o desinteresse em sua expressão. Sem esperar por um convite, ele entra no apartamento com passos firmes, a postura relaxada apenas aumentando a tensão no ambiente.
— Dominic, o que você pensa que está fazendo? — Claire pergunta, a voz cheia de indignação, enquanto seus olhos disparam para o aplique caído no chão, antes de voltar para ele com um brilho de irritação.
— Retribuindo a visita. — Dominic responde, com um sorriso frio que não alcança os olhos. Ele se deixa cair no sofá, ajustando-se confortavelmente como se estivesse em sua própria casa. — Que tal um café? — Sugere, batendo duas vezes as palmas das mãos em um gesto que imita descaradamente o jeito dela de chamar a empregada.
— Senhora? — Pergunta a empregada, com um tom educado e neutro que só aumenta a frustração de Claire.
— Junte isso. — Ordena, apontando para o chão onde o aplique repousa. Sua voz é fria, controlada, mas a raiva em seus olhos é evidente. Não havia chance de ela se abaixar para recolher aquilo, não diante de Dominic.
— Sim, senhora. — Responde à empregada, o tom impecavelmente formal, enquanto se move com precisão até o aplique caído. Ela se abaixa com a destreza de quem já está acostumada a servir, recolhendo o objeto antes de se erguer em perfeita postura. — Há algo mais, senhora? — Pergunta, o olhar permanecendo baixo, reforçando sua atitude submissa.
— Prepare um café e nos sirva. — Ordena, sua voz carregada de uma autoridade casual, enquanto ignora completamente o gesto da empregada. Com passos deliberados, ela se dirige ao sofá, acomodando-se no lado oposto ao de Dominic. Ao cruzar as pernas intencionalmente, o vestido se ajusta perfeitamente, destacando suas curvas. Um sorriso calculado surge em seus lábios, enquanto observa Dominic, seus olhos avaliativos e cheios de expectativa. — Então, Dominic, a que devo a honra dessa visita? — Pergunta, inclinando-se levemente na direção dele. O movimento, ensaiado com maestria, faz o decote de seu vestido revelar um pouco mais, uma manobra cuidadosamente planejada para atrair sua atenção.
Dominic, por sua vez, mantém-se impassível. Sua postura descontraída no sofá é quase desafiadora, os olhos vagando pelo ambiente com um desinteresse deliberado que reduz o esforço dela a algo irrelevante. Ele sequer lança um breve olhar ao gesto calculado, concentrando-se em detalhes completamente alheios a ela. Sua indiferença é absoluta, um silêncio eloquente que transmitia uma mensagem mais incisiva do que qualquer comentário poderia oferecer.
— Ainda sou bem-vindo aqui, não sou? — Pergunta, bocejando ostensivamente, como se o momento em si fosse uma perda de tempo que mal conseguia tolerar.
— Você está mesmo me intimidando por causa dela? — Pergunta, a voz vacilante, enquanto enxuga uma lágrima que desce por seu rosto. — Você nunca quis filhos, Dominic. Que mudança repentina é essa?
— As circunstâncias mudam quando há algo que vale a pena proteger. — Declara, a voz firme e carregada de uma convicção que não deixa espaço para questionamentos. Ele observa as lágrimas escorrerem pelo rosto dela, mas não demonstra nem compaixão, nem hesitação. — É verdade, nunca quis filhos. — Afirma, retirando a mão do bolso e passando o polegar e o indicador pelo queixo, o gesto lento, quase indiferente, como se estivesse ponderando algo distante. — Mas agora os tenho. E farei qualquer coisa para protegê-los, de quem quer que seja. — Continua, cada palavra carregada de um peso ameaçador, como se fossem ditas para cravar profundamente em sua mente. — Portanto, não me obrigue a mostrar o meu lado sombrio. — Conclui, o olhar frio fixo nela por mais um instante antes de se virar e caminhar em direção à porta. Sem esperar por respostas, ele a deixa para trás, mas o som apressado dos passos dela e o bater forte da porta ecoam pelo apartamento, deixando evidente sua irritação e frustração.
Enquanto caminha pelo corredor, Dominic sente o celular vibrar no bolso. Ele leva a mão com calma, puxando o aparelho e observando a tela onde uma mensagem pisca. Sem hesitar, ele a abre.
“Encontre-me no lugar onde fomos felizes.”

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