Enquanto isso, Vivienne chega ao prédio e segue diretamente para o seu andar, o som suave de seus passos ecoando pelo corredor silencioso. Ao sair do elevador, ela para abruptamente, os olhos fixos na mudança inesperada diante de si. As obras haviam finalmente terminado, e os dois apartamentos à frente do seu agora se fundiam em um único espaço amplo e recém-integrado. A visão da porta unificada e impecável provoca uma leve onda de curiosidade e surpresa em seu rosto.
— Será que já se mudaram? — Murmura para si mesma, franzindo a testa em curiosidade, enquanto destranca a porta de seu apartamento. Mas assim que entra, o cheiro desagradável toma conta, fazendo-a se arrepender instantaneamente de não ter resolvido aquilo antes. — Droga! — Resmunga, levando a mão ao nariz, enquanto entra com cautela. O ar pesado, combinado com o caos deixado pelo episódio macabro de dias atrás, deixava o ambiente ainda mais sufocante. Sem perder tempo, Vivienne vai de janela em janela, abrindo-as todas na tentativa de expulsar o odor opressivo.
Sentindo-se inquieta, ela segue para o quarto e troca de roupa, optando por algo mais leve e confortável. Determinada, amarra o cabelo e mergulha na limpeza do apartamento. Cada movimento seu é meticuloso, quase purificador, como se ao esfregar cada superfície estivesse também tentando limpar os resquícios das memórias que ainda pairavam ali. O chão, as paredes, os cantos, nada escapa de sua atenção, principalmente as áreas marcadas pelos rastros do desconforto vivido.
As horas passam e, quando finalmente se dá conta, o relógio já marca um pouco depois das onze da manhã. Cansada e com o corpo dolorido, Vivienne desaba no sofá, o coração ainda acelerado do esforço, mas com uma sensação tênue de alívio por devolver alguma ordem ao espaço.
Ela pega o celular e abre o aplicativo, navegando rapidamente até a opção de almoço. Cozinhar estava fora de cogitação naquele momento, o cansaço dominava cada parte de seu corpo. Sem pensar muito, faz o pedido e confirma com um toque, deixando escapar um suspiro de alívio ao ver o tempo estimado de entrega. Com isso resolvido, ela finalmente se permite relaxar, recostando-se no sofá por um breve instante, como se pudesse roubar alguns minutos de paz antes de encarar o resto do dia.
Mas a sensação de suor na pele e a poeira nos cabelos logo a incomodam. Com o prazo da entrega como motivação, Vivienne se levanta e segue para o banheiro. O banho quente é um breve refúgio, e enquanto a água escorre pelo corpo, ela sente não só o cansaço do dia ir embora, mas também um pouco do peso dos últimos acontecimentos.
Após o banho, Vivienne se veste rapidamente, o corpo revigorado, mas ainda carregando o cansaço da manhã. Assim que termina de ajeitar o cabelo, a campainha toca. Ela se apressa até a porta, agradece ao entregador e pega o almoço. Caminha até a pequena cozinha, onde organiza a mesa com cuidado. Quando termina, solta um suspiro aliviado, satisfeita por conseguir arrumar tudo a tempo.
Então, a campainha toca novamente. Desta vez, ela caminha animada até a porta, um sorriso já surgindo no rosto, enquanto a abre com pressa.
— Que saudades! — Vivienne exclama, envolvendo a amiga em um abraço apertado, a felicidade evidente em seu tom.
— Sei. — Joana responde, arqueando as sobrancelhas com uma falsa indignação, enquanto devolve o abraço. — Aposto que enquanto estava em cima de um certo alguém, nem lembrava que eu existia. — Provoca, recebendo um leve tapa no braço, seguido por risadas de ambas.
— Meus parabéns, amiga! — Murmura, a voz embargada de emoção, enquanto se afasta apenas o suficiente para olhar para Vivienne. Com delicadeza, ela acaricia a barriga da amiga, um sorriso radiante iluminando seu rosto. — Titia já ama esses dois. — Declara, rindo com doçura, enquanto a emoção e a cumplicidade entre elas tornam o momento ainda mais especial.
— Não vou mentir, amiga. — Começa, a voz levemente embargada, enquanto se acomoda novamente no lugar. — É assustador, sabe? Principalmente considerando como tudo aconteceu. Parece estranho até para mim. — Acrescenta, levando o garfo aos lábios e mastigando lentamente, como se as palavras precisassem de tempo para se formar. — Mas o Dominic tem sido um apoio incrível. — Admite, e o sorriso que surge em seu rosto é maior do que ela gostaria. Vivienne tenta disfarçar desviando o olhar, mas Joana já percebeu, o brilho em seus olhos denunciando exatamente como se sentia.
— Que linda, apaixonada. — Dispara, o tom carregado de provocação enquanto observa Vivienne se encolher levemente, a expressão se fechando. — Qual é, Vivienne, irá negar? — Insiste, um sorriso travesso brincando em seus lábios, percebendo claramente o que estava acontecendo. Era óbvio para ela que a amiga estava desenvolvendo sentimentos pelo pai de seus filhos.
— Não estou apaixonada. — Rebate, tentando soar firme, mas a leve hesitação em sua voz a trai. Ela solta um suspiro, os lábios curvando-se em um sorriso tímido. — Mas com certeza isso irá acontecer. — Admite, finalmente, a suavidade em sua expressão, refletindo a certeza que sente sobre a conexão e a atração inegável que existe entre eles. — Por querer construir algo com ele, decidi visitar os meus pais e retomar o controle da minha vida. — Murmura, o receio evidente em sua voz, mesmo enquanto tenta disfarçar com um sorriso discreto. Seus olhos evitam os de Joana, como se temesse que seus medos fossem expostos com muita facilidade.

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