Vivienne sacode a cabeça, a incredulidade diante da audácia de Dominic em simplesmente dispensar sua visita, mistura-se com um impulso quase irresistível de agredi-lo fisicamente. Seu movimento em direção à porta é interrompido pela figura imponente dele, que se posiciona estrategicamente como um obstáculo intransponível.
— Saia da minha frente, senhor Muller. — Vivienne ordena, sua irritação manifestando-se.
— Senhorita Bettendorf, permita-me relembrar que você não possui autoridade para me dar ordens. — Dominic responde, com uma firmeza provocativa, que parece calculada para irritá-la. — Concluiremos nossa conversa, depois a senhorita poderá retornar às suas atividades sociais aparentemente inadiáveis. — Declara, cada palavra carregando desinteresse.
— Na minha casa, eu dou ord...
— Vivi, está tudo bem? — A voz preocupada através da porta interrompe sua indignação.
— Um minuto, amiga. — Responde, elevando estrategicamente o tom. — Em minha residência, eu estabeleço as regras, e se o senhor não se retirar por vontade própria, serei forçada a acionar as autoridades competentes. — Ameaça, observando um sorriso confiante surgir nos lábios dele.
— Como desejar. — Declara, e ela quase relaxa até o ver acomodar-se deliberadamente em seu sofá, numa postura casual que beira a insolência. — Proceda com sua ameaça, senhorita. — Provoca, claramente apreciando seu crescente desconforto.
— O quê? — Questiona, atordoada com sua audácia.
— Solicite a presença das autoridades para minha remoção forçada. — Instrui, com uma determinação exageradamente arrogante, seu olhar analítico acompanhando cada movimento dela, especialmente intrigado pelo modo como seus dedos deslizam nervosamente entre os cachos. — O vermelho realça admiravelmente sua natureza indócil, senhorita. Combina perfeitamente com essa sua disposição para o caos, uma autêntica diabinha que tenta se passar por civilizada. — Observa, com um sarcasmo refinado, deliciando-se com o sorriso que ela tenta inutilmente disfarçar. — Imagino que os chifres estejam escondidos estrategicamente sob esses cachos. — Provoca, a irritação dela, alimentando seu divertimento de maneira satisfatória.
— Senhor Muller, poderia, por gentileza, retirar-se? — Solicita, suavizando a voz em uma tentativa de disfarçar a raiva que a consome, plenamente ciente de que ele se diverte ao provocá-la.
— Certamente, após concluirmos nossa pendência. — Reafirma, observando com satisfação mal disfarçada, enquanto ela cerra os punhos em frustração. Provocar essa pequena mulher, tornou-se um exercício particularmente interessante.
— Mas que inferno! — Exclama, posicionando-se à sua frente com uma determinação admirável. — O que exatamente o senhor deseja? — Questiona, plenamente consciente de que ele não se retirará até exercer seu controle característico sobre a situação.
— Não quero nada vindo de você. — Assegura, o incômodo transparecendo em cada palavra. — Muito menos sua caridade financeira. — Acrescenta, com a indignação escorrendo em cada sílaba.
— Não seja tola, senhorita Bettendorf. — Adverte, encerrando a distância entre eles em um movimento ágil. Com o dedo, ergue o rosto dela, forçando-a a encará-lo. — Não tenho nenhuma intenção de exercer caridade com você, meu único interesse aqui são os meus filhos. — Declara, sua voz baixa e carregada de indiferença, numa tentativa clara de fingir que seu interesse se limita a isso. Mas a proximidade diz o contrário, deixando evidente a forte atração que ele luta para disfarçar.
— Não irei me mudar, esses bebês não te conferem direitos sobre minhas decisões. — Reclama, sua irritação transbordando diante das imposições dele. — Se deseja proximidade, a mudança cabe ao senhor. E, por gentileza, ajuste esse teu mau-humor, caso contrário, nosso contato será estritamente limitado às consultas pré-natais. — Afirma, sua voz carregando uma ameaça discreta, recusando-se a ceder ao controle que ele tenta estabelecer a cada pronunciamento.
— Como preferir, senhorita Bettendorf. — Rebate, com uma calma controlada. Num movimento distinto, ele caminha até a porta e alcança a maçaneta e abre num gesto brusco, amparando instintivamente a mulher que perde o equilíbrio ao cair para dentro do apartamento, ela estava claramente com o ouvido colado à madeira numa tentativa nada discreta de ouvir a conversa.
— Me desculpe, No…
— Eu não sou o Noah, — Dispara, interrompendo-a com frieza e afastando-a de seus braços num movimento decidido. Em seguida, atravessa a porta com passos firmes, parando por um instante. Seu olhar analítico percorre o corredor à sua frente, ele vira-se novamente, encontrando Vivienne e a desconhecida, observando-o com expressões perceptíveis de curiosidade e apreensão. — Entrarei em contato, senhorita Bettendorf. — Conclui, a seriedade de suas palavras, fazem Vivienne prender a respiração enquanto o observa desaparecer de vista.

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