Noah observa Dominic apoiado na porta de costas para ele, como se sua presença fosse irrelevante e isso o deixa ainda mais irritado. Mesmo após fazer um curativo e trocar de sapato, a dor ainda lateja em seu pé, um lembrete constante da afronta de Vivienne.
— Quero que você fique longe dela, Dominic. — Noah ordena, enfim cortando o silêncio, apertando as mãos em punho, enquanto observa Dominic se virar lentamente e encará-lo com uma frieza intimidadora. — Não é um pedido, Dom, é uma ordem. — Afirma, observando um sorriso surgir no rosto do irmão.
— Desde quando você acha que tem autoridade para me dar ordens? — Dominic pergunta, se apoiando na porta com elegância, cruzando os braços em frente ao peito. — Mesmo que vocês fossem um casal feliz, o que evidentemente não são, não há possibilidade de me manter longe da senhorita Bettendorf, não enquanto ela carrega os meus herdeiros. — Declara, com uma afirmação cortante, enquanto observa a raiva distorcer o rosto de Noah.
— Que brincadeira é essa? — Pergunta, dando leves passos hesitantes pela sala, quase mancando com a dor latente no pé, algo que não passa despercebido pelo olhar analítico do irmão.
— O que aconteceu com a sua patinha, querido irmão? — Questiona, o tom oscilando entre a cordialidade e o sarcasmo, irritando ainda mais Noah.
— Vá se foder, Dominic! — Responde, parando abruptamente e observando-o.
— Que vocabulário deplorável, irmãozinho. — Comenta, o tom carregado de provocação. — Por que não nos presenteia com um de seus adoráveis sorrisos? — Continua, em uma provocação corrosiva. Seus olhos brilham de satisfação, claramente se divertindo com o resultado do soco do dia anterior.
— Quer mesmo provocar? — Pergunta, avançando com passos intimidadores, mantendo a postura altiva. Seu olhar fixo no irmão carrega toda hostilidade acumulada entre eles. — Quando você não passa de um homem doente, um alcoólatra descontrolado, um ser humano tão insuportável que ninguém aguenta sua presença por mais de cinco minutos. — Provoca, a satisfação evidente ao notar a expressão do irmão se fechar momentaneamente.
— Bem, eu poderia descer ao seu nível e responder à altura. — Começa, a sua voz controlada, equilibrando educação e desdém em medidas precisas. — Mas veja bem, suas tentativas de me ofender são tão previsíveis quanto qualquer decisão que você toma na vida — Declara, enquanto se aproxima do irmão, com passos deliberadamente lentos. — O dia em que você conseguir se portar como um homem de verdade, e não como esse ser patético que corre para o vovô ao menor sinal de problema, talvez, e note que enfatizo o “talvez”, eu considere levar suas palavras a sério. — Afirma, com um sorriso frio e superior, dando um tapa leve e intencional no rosto do irmão, que imediatamente repele sua mão com um movimento brusco.
— Me solta! — Grita, tentando empurrá-lo, apenas para sentir suas costas colidirem novamente contra a parede com força suficiente para tirar seu ar.
— Cala essa boca! — Ordena, puxando-o apenas para arremessá-lo de volta com violência, o impacto arranca um gemido de dor. Noah agarra seus pulsos numa tentativa inútil de resistência. — Você não tem o direito de falar dela assim, seu pedaço de merda. Vivienne pode até ter sido ingênua por acreditar nas suas mentiras, mas acredito que ficou bem claro que ela te mandou para o inferno quando pediu demissão. — Acrescenta, sua fúria explodindo pela forma como Noah se refere à mãe de seus filhos. — Use esses termos para se referir a ela mais uma vez e juro que termino o serviço que comecei no seu dente, mas dessa vez não irá sobrar um inteiro na sua boca.
— Fascinante, como sempre, se coloca como o herói pronto para defender uma donzela que nem pediu sua proteção. — Rebate, seus dedos tamborilando nos pulsos do irmão, numa falsa demonstração de controle.
— Tenho certeza de que ela pode lidar perfeitamente com você sozinha, afinal, já provou isso ao te dispensar como o lixo que você é. Mas, agora, ela nem precisa mais se dar a esse trabalho. — Dispara, empurrando-o com força para fora do apartamento. Noah perde o equilíbrio, aterrissando com um ruído patético no chão. — Esse lugar te cai perfeitamente bem, querido irmãozinho. Sempre soube que seu lugar era aos meus pés. — Provoca, saboreando cada segundo daquela cena ridícula. — Agora, levante-se daí e corra para o colo do vovô. — Conclui, com um sorriso debochado, fechando a porta com violência.

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