Vivienne desliza as mãos nervosamente pelos cabelos, sua mente trabalhando freneticamente em busca de uma saída que não envolva revelar seu passado. As palavras cruéis do pai ecoam em sua memória, aumentando sua ansiedade e a última coisa que deseja é qualquer associação com sua família, conhecendo bem demais as consequências de contrariar aquele homem.
— Não estou entendendo essa conversa! — Joana comenta, quebrando o silêncio tenso e trazendo Vivienne de volta à realidade. — Conheço…
— Amiga, o senhor Muller já sabe sobre algumas falhas no meu currículo. — Vivienne interrompe, rapidamente, lançando à amiga um olhar suplicante, tentando fazê-la entender a situação. — Ele sabe que não cursei a faculdade. — Acrescenta, em um esforço desesperado para controlar a conversa, enquanto Dominic observa atentamente, capturando cada palavra e troca de olhares, analisando meticulosamente cada reação delas.
— Até quando planeja sustentar essa mentira, senhorita Bettendorf? — Dominic questiona, o olhar firme e desafiador.
— Não estou mentindo! — Vivienne declara, a voz elevando-se levemente, tentando parecer mais convincente do que realmente se sente.
— Mesmo? — Rebate, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha, enquanto observa Vivienne se remexer desconfortavelmente na cadeira. — Então, me conte como vocês se conheceram. — Insiste, um sorriso predatório surgindo em seus lábios.
— Joana e eu, nos co…
— Não, não. — Interrompe, inclinando-se até que seus rostos fiquem perigosamente próximos. — Me conte como quem revela um segredo. — Instrui, virando levemente o rosto e tocando sua própria orelha, como se a desafiasse deliberadamente. — Depois, a senhorita Lima poderá compartilhar sua versão, que será, é claro, idêntica à sua. — Comenta, cada palavra carregada de ironia. — Afinal, não há mentiras aqui. — Acrescenta, divertindo-se com a respiração descompassada dela, que delata o nervosismo crescente.
— Que brincadeira é essa? — Vivienne pergunta, os olhos procurando desesperadamente ajuda no olhar da amiga. — Por que acha que devo te provar alguma coisa? — Continua, sua voz hesitando, revelando seu desconforto.
— Parem de brigar. — Joana intervém, rapidamente, tentando ajudar a amiga. — Nos conhecemos numa viagem para o Brasil. — Solta, sem pensar, mas logo sente o desconforto crescer ao ver o sorriso de Dominic se alargar, como se essa resposta o tivesse divertido.
— Excelente! — Dominic declara, satisfeito, enquanto fixa seu olhar analítico em Vivienne. — Terei que me preocupar com uma nova crise se pedir para ver seu passaporte? — Provoca, notando como ela morde o lábio nervosamente.
— Prossiga. — Instrui, calmamente, quebrando o silêncio momentâneo dela. — Estabeleça suas condições, senhorita Bettendorf. — Orienta, observando atentamente as reações dela, notando a tensão claramente refletida em seu olhar e postura.
— A partir de hoje, nosso contato será apenas quando necessário. — Começa, com uma firmeza que surpreende até a si mesma, observando-o balançar a cabeça em sinal de discordância. — Sim, exclusivamente nas consultas de acompanhamento da gestação. — Reitera, sua voz carregada de determinação, deixando claro que não há margem para discussão. — Suas perguntas devem se limitar aos bebês, e somente a eles, porque qualquer outra coisa não lhe diz respeito. — Prossegue, estabelecendo claramente que os filhos são o único vínculo entre eles. — Afinal, não me vê invadindo sua casa ou qualquer outro lugar da sua vida pessoal, porque simplesmente não me interessa. — Declara, apontando os limites que ele constantemente ultrapassa. — Então, por favor, respeite meus espaços daqui em diante. — Conclui, as regras sendo simples, porém inegociáveis.
— Fascinante. — Dominic responde, com um sorriso que sempre a irrita, dando um passo em sua direção. — Agora me permita estabelecer alguns fatos, senhorita Bettendorf. — Continua, cada palavra carregada de arrogância, como se o controle sempre estivesse em suas mãos. — A senhorita está carregando meus filhos, e ainda assim espera que eu mantenha distância, enquanto constrói mais mentiras? — Questiona, sua voz assumindo um tom irritado.
— Controle seu tom, senhor Muller. — Adverte, levantando a mão entre eles, numa tentativa de manter distância. — São meus filhos também, e pelo que me lembro, o senhor não queria nenhum. — Rebate, lembrando das palavras dele na clínica. — O senhor é igual ao seu irmão, tudo questão de orgulho e controle. — Acusa, observando a expressão dele ficar ainda mais séria.
— Nunca mais me compare a ele. — Repreende, sua voz saindo num tom baixo e controlado que carrega mais ameaça que qualquer grito. — E, sim, senhorita Bettendorf, são nossos filhos. É por isso que me incomodam suas mentiras. — Declara, avançando mais um passo, fazendo-a recuar. — Se quer estabelecer regras, comece sendo honesta. — Sugere, a convicção em cada palavra, mostrando que ele não acredita nela. — Ou você prefere que eu descubra tudo por conta própria? — Indaga, um traço de preocupação sincera emergindo ao vê-la empalidecer.

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