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A Escolha Certa com o CEO Errado romance Capítulo 45

Vivienne observa, intrigada, aquela metamorfose no comportamento de Dominic. Ele parece uma pessoa completamente diferente do homem intimidador de minutos atrás, agora mais atento, mais cuidadoso, como se a tensão tivesse dado lugar a um interesse genuíno pelo seu bem-estar. Essa mudança a desconcerta, e ela sente um conflito interno surgir, enquanto tenta entender o que está acontecendo.

A suavidade com que ele a trata provoca reações físicas distintas, um tipo de vulnerabilidade que ela não está acostumada a sentir. Não é o desejo ardente que suas provocações costumam despertar, mas uma sensação mais profunda, mais intimista, que a faz questionar a linha tênue entre o controle e a entrega.

— Bem, cogito ficar mais um tempo aqui. — Vivienne responde, notando como um sorriso contraditório surge nos lábios dele, não combinando com a decepção mal disfarçada em seu olhar.

— Tudo bem. — Dominic comenta, recompondo sua postura, numa tentativa visível de recuperar sua indiferença característica. — Nos próximos dias, providenciarei uma consulta. — Afirma, seu instinto controlador, reassumindo o comando. — Sua hipotensão pode ser apenas uma resposta ao estresse, mas precisamos investigar outras possíveis causas. — Acrescenta, observando atentamente como ela reage às suas determinações.

— Mais alguma ordem, senhor? — Questiona, dividida entre gratidão pela preocupação e irritação com seu controle excessivo.

— Por que não está no trabalho? — Indaga, subitamente, como se acabasse de notar esse detalhe.

— Pelo mesmo motivo que o senhor não está. — Responde, com um sarcasmo afiado, um sorriso desafiador nos lábios. Ela sabe que suas palavras são um convite à provocação, mas evita mencionar sua demissão, pois não quer prolongar ainda mais a conversa e muito menos a presença dele. — Senhor Muller, lembre-se das regras estabelecidas. — Adverte, a firmeza em sua voz, deixando claro que não está disposta a recuar. Seus limites estão traçados, e ela não permitirá que ele ultrapasse mais nenhum deles. — Já respondi sobre meu passado, e embora esteja ciente de que continuará suas investigações, garanto que desperdiçará apenas recursos e tempo. — Assegura, com a confiança de quem já conhece bem os limites do próprio enigma.

— Veremos. — Comenta, decidindo não insistir mais no assunto, ao menos por enquanto, considerando o mal-estar dela. — Transmita meus agradecimentos à sua amiga. — Solicita, lançando um olhar rápido em direção à cozinha, antes de desviar para Vivienne novamente. — Bem, possui meu contato, caso necessite de algo. — Declara, sua voz se suaviza um pouco, talvez tentando manter algum nível de cordialidade entre eles, embora ainda estivesse claro o conflito entre suas intenções e os limites dela. — Cuide-se, senhorita Bettendorf. — Aconselha, com um sorriso surpreendentemente gentil, um gesto que destoa de sua postura normalmente rígida e impositiva. — Até breve. — Conclui, dando-lhe um último olhar antes de se dirigir à porta. Quando a porta se fecha atrás dele, ele solta um resmungo frustrado. — Porra! — Murmura para si, sentindo-se desconcertado com seu próprio comportamento, enquanto caminha pelo corredor.

— O que foi isso? — Vivienne murmura para si mesma, encarando a porta como se ela pudesse fornecer alguma resposta. — Será que ele é bipolar? Num momento está todo cuidadoso, no outro parece que irá matar alguém. — Resmunga, ainda tentando processar a mudança radical no comportamento dele. Suspirando pesadamente, levanta-se e arrasta-se até a cozinha, onde encontra a amiga afogando praticamente os pratos em espuma. — Ei, deixa que assumo essa batalha contra a gordura. — Declara, forçando um sorriso que não alcança seus olhos.

— Acho improvável que ele consiga algo. — Responde, suas mãos apertando a esponja com força desnecessária. — Você sabe o quanto meu pai se esforçou para garantir que minha existência como filha deles fosse apagada. — Continua, sua voz falhando levemente, ao finalmente tocar naquele assunto doloroso. — Se eu soubesse que meu retorno para casa, após anos em colégios internos e meu período na faculdade, foi apenas para receber ordens e assumir uma vida que não era minha. — Reclama, lembrando-se do quanto foi manipulada por promessas vazias que, no fim, não passavam de mentiras para fazê-la seguir os planos meticulosamente traçados por eles. — Não teria voltado para casa, afinal, meu retorno acabou decretando a minha morte. — Murmura, o olhar distante, como se tentando afastar a dor de reviver essas lembranças.

— O que eles fizeram com você foi cruel. — Dispara, sentindo a raiva crescer dentro de si por tudo o que Vivienne teve que suportar.

— Está tudo bem, nunca passei de apenas um número para eles. — Declara, forçando um sorriso. A máscara de indiferença que tenta manter falha em esconder a dor que aquelas lembranças carregam, como se tentasse convencer a si mesma, mais do que à amiga, que realmente está bem.

— Pretende contar para eles sobre a gravidez? — Pergunta, e aquela simples, mas necessária pergunta faz todo o corpo de Vivienne tremer involuntariamente. O prato escapa de suas mãos trêmulas, estilhaçando-se no chão em dezenas de fragmentos afiados, ecoando o caos que se instala em seu peito.

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