Ao tocar a campainha do apartamento de Joana, o celular de Vivienne vibra em sua bolsa. Com um suspiro resignado, ela o pega, apenas para revirar os olhos ao ver o nome do chefe brilhando na tela.
— Boa tarde, senhor Larsen. — Vivienne cumprimenta, com educação ao atender, enquanto adentra o apartamento, cumprimentando Joana discretamente. — Em que posso ser útil?
— Senhorita Bettendorf, boa tarde. — Henrik responde, sua voz controlada, apesar do desconforto evidente. — Precisamos discutir uma situação delicada. A senhorita poderia comparecer ao escritório esta tarde?
— Com todo respeito, senhor Larsen, creio que podemos resolver isso via telefone. — Responde, acomodando-se no sofá, enquanto Joana se senta ao seu lado, observando-a com curiosidade.
— Devo me retratar pelo comportamento inadequado demonstrado anteriormente. — Pronuncia, quase forçando as palavras, enquanto tenta manter a compostura. — A empresa tem interesse em manter sua colaboração conosco.
— Agradeço a consideração, senhor Larsen, mas devo declinar. — Responde, categoricamente, sentindo a oportunidade de reverter a situação a seu favor. — Tenha uma ótima…
— Vivienne, por favor. — Interrompe, rapidamente, o uso do primeiro nome denunciando seu desespero. — Talvez possamos negociar termos mais favoráveis para seu retorno.
— Estou ouvindo, senhor Larsen. — Responde, sua voz assumindo um tom profissional. — Que termos o senhor sugere?
— O que precisaríamos fazer para garantir seu retorno? — Questiona, tentando retomar o controle da situação.
— Uma readequação salarial substancial seria um excelente ponto de partida. — Propõe, com tranquilidade, sabendo que está no controle. Afinal, sempre foi dedicada, autodidata, e agora, com a gravidez, quer construir suas conquistas sem depender de ninguém, nem mesmo do pai bilionário de seus filhos.
— Se eu conseguir essa aprovação, a senhorita confirma seu retorno? — Questiona, tentando mascarar sua ansiedade.
— Sim, senhor Larsen. — Confirma, com uma certeza inabalável, preferindo a estabilidade conhecida a novas incertezas profissionais.
— Excelente. Consultarei o departamento de recursos humanos. — Declara, já antecipando uma tarde tensa de negociações. — Retornarei com uma resposta oficial até o final do expediente. — Conclui, encerrando a chamada com a mesma brusquidão de sempre.
— Você é um gênio do caos, Vivienne. — Joana comenta, balançando a cabeça com um sorriso cúmplice. — O que está aprontando agora?
— O senhor controlador supremo ordenou meu retorno. — Responde, com um sorriso astucioso. — E já que o senhor Larsen está tão interessado, por que não aproveitar?
— Certíssima! Faça-o pagar por ser tão babaca. — Concorda, cutucando o ombro de Vivienne. — Mas agora me conta o que realmente te trouxe aqui. Quer um chocolate para acompanhar esse drama?
— Então lide apenas com o necessário por enquanto. — Orienta, acariciando os cabelos da amiga com carinho, sentindo Vivienne relaxar levemente sob seu toque. — Um dia de cada vez, sem pressão.
Enquanto isso, Dominic estaciona em frente à mansão do avô, suas mãos tremendo no volante, enquanto trava uma batalha interna entre a razão e a fúria que ferve em suas veias. O histórico de atrevimentos de Noah já é longo demais para ser ignorado. Com movimentos controlados, desce do carro, cada passo em direção à porta carregando o peso de sua raiva contida.
A empregada mal termina de abrir a porta quando ele adentra a casa com passos pesados. Na sala de estar, encontra Noah sentado confortavelmente na poltrona. Natasha está no sofá, o silêncio entre eles denuncia o vazio daquele relacionamento de aparências.
— Decidiu voltar, adorável irmão? — Noah pergunta, com desprezo, seus olhos encontrando os de Dominic, que avança em sua direção com uma calma que parece ensaiada.
Em um movimento fluido, Dominic agarra o colarinho do irmão, forçando-o a se levantar. Seus olhos percorrem o pescoço de Noah, encontrando exatamente o que procurava, as marcas da resistência de Vivienne.
— O que você está fazendo? — Noah questiona, tentando se desvencilhar com um tapa que Dominic simplesmente ignora.
— Vou te matar. — Declara, dominado por uma fúria que não tenta mais controlar, arrasta o irmão pelos corredores em direção à rua, enquanto Natasha corre assustada em direção ao escritório do avô deles.

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