A porta de entrada explode quando Dominic arremessa Noah contra o chão com uma violência bruta. O impacto é tão devastador que o corpo do irmão gira duas vezes antes de se estabilizar. Noah luta para se erguer, apoiando-se precariamente sobre joelhos e palmas trêmulas, mas Dominic, consumido por uma fúria selvagem, o atinge com um chute feroz em seu abdômen, arrancando-lhe o ar dos pulmões e devolvendo-o ao chão.
— Fascinante sua tentativa de ser como eu, Noah! — Dominic dispara, removendo o paletó e jogando-o de qualquer jeito, enquanto se aproxima como um predador. — Acha que é só pegar as partes que te interessam? — Continua, sua voz assumindo um tom cortante, enquanto se inclina, entrelaçando os dedos nos cabelos do irmão para imobilizá-lo. O primeiro soco atinge com precisão, fazendo sangue espirrar dos lábios de Noah, seguido por outro igualmente impiedoso. — Que tal experimentar o peso das minhas responsabilidades? Ou melhor, por que não prova um pouco das minhas frustrações? Das minhas dores? Todo esse inferno que eu vivo? — Sugere, cada palavra é cuspida com mais ódio que a anterior, seus golpes ficando mais selvagens a cada segundo.
— Dom... — Noah balbucia, entre espasmos de tosse ensanguentada, sua voz quase inaudível. — Por f...
— Ela também pediu por favor! — Interrompe, sua voz elevando-se, seus punhos encontram repetidamente o rosto do irmão.
— Pare com isso! — A voz de Grant ecoa pelo pátio, enquanto ele e Charles arrancam Dominic de cima do irmão, jogando-o contra o chão com força. Natasha recua horrorizada, suas mãos tremendo sobre os lábios, dividida entre o impulso de correr até Dominic e a visão de Noah, praticamente imóvel, sua consciência evidenciada apenas pelos espasmos de tosse que ainda expelem sangue.
— Não se meta nisso, senhor Muller! — Dominic vocifera, seu corpo se contorcendo violentamente contra os joelhos que o prendem ao chão. Seus olhos queimam com um ódio descontrolado, sua respiração é pesada e irregular, sua fúria amplificando-se a cada segundo.
— Natasha, tire o Noah daqui. — Grant ordena, enquanto Dominic se debate furiosamente. — Agora, Natasha! — O grito a arranca de seu transe, fazendo-a correr até o noivo.
Uma risada grotesca e perturbadora escapa dos lábios de Dominic, fazendo Grant e Charles trocarem olhares tensos, enquanto ele leva as mãos trêmulas ao rosto, mãos manchadas por uma mistura de sangue, parte do irmão, parte seu, escorrendo dos cortes que se abriram em seus próprios punhos durante o ataque.
— Noah, você está bem? — Natasha sussurra, ajoelhando-se ao lado dele, que permanece deitado de lado, sua respiração irregular interrompida por tosses carregadas de sangue. — Vem, se apoia em mim. — Instrui, sua determinação contrastando com a fragilidade do momento. Ela tenta erguê-lo, passando o braço dele sobre seus ombros, mas o peso do corpo de Noah é maior do que consegue suportar.
— Filha, busque ajuda! — Charles comanda, recebendo apenas um aceno frenético de Natasha antes dela disparar em direção à casa.
— Que tal me soltarem agora? — Dominic sugere, sua voz saindo num tom falsamente controlado, suas mãos ainda tremendo ao deixarem seu rosto. Seus olhos ainda queimam com uma fúria mal contida, uma fera momentaneamente domada, mas longe de estar pacificada.
— Maldito filho da puta! — Vocifera, ao encontrar o frasco de perfume que sempre usa. Num movimento rápido e violento, o vidro se estilhaça contra a parede, preenchendo o ar com o aroma intenso e sufocante. — E eu sou o doente? — Comenta, quando encontra o estojo das lentes de contato. — Isso é normal para você? — Dispara, esmagando as lentes entre os dedos, arremessando os fragmentos no chão. — Por quanto tempo vai continuar alimentando esse monstro que você criou? — Questiona, a voz falhando conforme sua respiração acelera, o corpo cambaleando levemente até se apoiar na prateleira. Com mãos trêmulas, seus dedos manchados de sangue tiram o celular do bolso. Sem hesitar, ele disca um número, seus movimentos bruscos e determinados. — Casa do senhor Muller, agora! — Ordena, encerrando a ligação abruptamente, sem dar espaço para respostas.
— Olhe para você, um estado digno de pena. — Começa, a voz grave, analisando cada detalhe do neto com frieza. — E quer me questionar sobre o Noah? — A raiva pulsa em suas palavras enquanto seus olhos varrem o caos ao redor. — Falhei com você também, criei um verdadeiro psicopata. — Dispara, observando um sorriso perturbador surgir nos lábios de Dominic.
— Claro, sempre eu! — Responde, forçando seu corpo a manter-se ereto. — Afinal, estou doente, não é mesmo? — Provoca, deslizando as mãos ensanguentadas para os bolsos. — Mas não me lembro de precisar que meu adorável vovô pagasse para abafar meus comportamentos err…
— Foi um mal-entendido. — Interrompe, um tremor quase imperceptível de raiva em sua voz.
— Não, o dinheiro só comprou o silêncio da vítima. — Repreende, seus olhos brilhando com satisfação ao perceber o lampejo de fúria no olhar do avô. — Se aquele verme ousar se passar por mim mais uma vez, se ele sequer sonhar em chegar perto da Vivienne. — Sua voz baixa para um sussurro ameaçador. — Prepare-se para enterrar mais um dos seus preciosos netos. — Conclui, a ameaça paira no ar como uma sentença, enquanto ele arrasta seu corpo dolorido em direção à saída, cada passo ecoando sua promessa sombria.

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