Dominic fixa seu olhar autoritário no único homem que lhe importa naquela sala. Grant permanece em sua posição de poder absoluto na cabeceira da mesa, a personificação da arrogância. Sem hesitar, Dominic aproxima-se com determinação, pousando a caixa sobre a mesa e empurrando-a com força, observando-a deslizar até parar sob o toque deliberadamente casual das mãos do avô.
— O que temos aqui, filho? — Grant pergunta, como se não reconhecesse sua própria crueldade meticulosamente arquitetada.
— Hoje, você terá o prazer de se juntar ao seu neto preferido. — Dominic dispara, a fúria guiando seus passos, enquanto avança na direção do avô, cego por um ódio que queima em suas veias.
— Dominic, pelo amor de Deus! — Louis intercepta seu caminho, o horror nos olhos ao ver o sangue seco manchando a testa do sobrinho. Instintivamente, estende a mão para tocá-lo, mas a tentativa é cortada por um tapa, uma advertência clara e cortante para manter distância.
— Mantenha-se fora disso, tio. — Adverte, com uma frieza que não combina com sua aparência devastada, enquanto tenta passar pela barreira humana que Louis representa.
— Cristo, você está queimando em febre. — Declara, sentindo o calor anormal que emana do corpo do sobrinho, enquanto o segura com força.
— Saia da minh...
— Senhores, nos concedam privacidade — Grant ordena, cortando a ameaça de Dominic, enquanto assume sua posição, observando os executivos fugirem da sala.
— Dominic, controle-se. — Louis implora, conhecendo bem demais o temperamento explosivo do sobrinho. — Preciso levá-lo para atendimento médico imediatamente.
— Não antes de eu garantir que esse desgraçado pague no inferno. — Afirma, com uma promessa mortal em cada sílaba, afastando o tio que insiste em proteger o homem errado.
— Louis, permita que ele passe. — Grant instrui, escolhendo um charuto da caixa elegante sobre a mesa e aspirando seu aroma com prazer perverso. — O que fiz dessa vez, filho? — Pergunta, com desdém evidente, mantendo sua farsa de avô preocupado.
O deboche explícito nas palavras do avô faz algo dentro de Dominic estilhaçar. Com uma violência primordial, avança e golpeia a caixa com força, fazendo-a explodir sobre o colo de Grant. O patriarca levanta-se num salto quando o saco com os hamsters se rompe, o líquido viscoso encharcando o tecido fino de sua calça, a crueldade que ele planejou agora manchando seu próprio corpo.
— Apenas me defendi, Dominic. — Justifica, rasgando a camisa com violência, os botões voando pela sala. — Aquela mulher tentou me matar, olhe isso! — Ordena, apontando para a marca em seu peito. — Sim, ela fez isso com uma faca. — Completa, antecipando a pergunta não feita.
— Então, o senhor é um homem afortunado. — Responde, com uma calma que faz o sangue gelar, seu dedo indicador traçando a cicatriz no peito do avô como uma promessa silenciosa, enquanto Louis observa a cena, paralisado pelo horror. — Está respirando apenas porque foi Vivienne com uma faca. — Declara, pressionando a ferida impiedosamente, saboreando o gemido de dor. — Porque se fosse eu, senhor Muller, garantiria pessoalmente que a lâmina encontrasse seu coração podre. — Garante, seu olhar carregado de frieza e raiva. — Mantenha-se longe da Vivienne e implore a qualquer deus em que você acredite para nada acontecer com ela ou meus filhos. — Continua, sua voz suavizando, enquanto se afasta apenas o suficiente para apreciar o terror que finalmente contamina os olhos do avô. — Porque se um único fio de cabelo deles for tocado, sendo sua culpa ou não, você descobrirá que existem formas de morte muito piores que uma simples facada. Tenha certeza disso. — Conclui, arremessando a cadeira contra a parede com força suficiente para o impacto arrancar um grito de dor dos lábios do avô.
A expressão de Dominic suaviza involuntariamente ao encontrar o olhar aterrorizado do tio. Um sorriso quase gentil, tão diferente da fera que acabou de mostrar suas garras, cruza seus lábios, enquanto caminha em direção à saída. Os passos apressados atrás dele denunciam a preocupação de Louis, mas Dominic mal consegue processar o som.
De repente, o mundo começa a girar violentamente. Sua visão, já comprometida pela febre alta, transforma-se num borrão confuso de cores e formas. Sente seu corpo, até então mantido ereto por pura força de vontade e adrenalina, começar a falhar. Suas pernas, antes tão firmes em sua ameaça, cedem sem aviso.
Dominic desaba de joelhos, o impacto seco ecoando no chão frio. Sua cabeça atinge o piso com força, e antes da escuridão total, o gosto metálico de sangue domina sua boca.

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