Os braços e pernas de Dominic começam a sacudir violentamente, como se uma força invisível e cruel estivesse dilacerando seu corpo em direções opostas. Os movimentos são brutais, descontrolados, quase desumanos em sua intensidade. Sua mandíbula trava com força suficiente para fazer os dentes rangerem, enquanto um som primitivo, escapa de sua garganta. Louis se ajoelha rapidamente ao lado do sobrinho, tirando seu paletó e o colocando sob a cabeça de Dominic, tentando protegê-lo de ferimentos ainda mais graves.
A pele de Dominic, antes apenas febril, agora exibe uma palidez alarmante, enquanto seus lábios azulados fazem o coração de Louis congelar por um instante. Seus olhos reviram, deixando à mostra apenas o branco, e seu corpo, em espasmos violentos, se contorce contra o chão gelado.
— Estou aqui, filho. — Louis sussurra, sua voz tensa enquanto verifica as vias aéreas com precisão, virando-o de lado para evitar que se afogue em sua própria saliva. — Uma ambulância, agora! — Grita, para a secretária paralisada, seus olhos fixos no relógio enquanto conta cada segundo daquele pesadelo.
— Que alvoroço é esse? — Grant questiona, ao deixar a sala de reuniões, mas suas palavras congelam ao ver a cena diante do elevador. Aproxima-se com passos rápidos, seus olhos frios examinando o neto que parece lutar contra forças invisíveis. — O que está acontecendo com ele? — Pergunta, com indiferença, arrancando um rugido de fúria dos lábios do filho.
— Afaste-se, pai! — Louis instrui, secamente, observando os espasmos começarem a diminuir sua intensidade.
Gradualmente, como uma tempestade que perde força, os tremores de Dominic começam a diminuir. Primeiro, os braços, depois as pernas, até que seu corpo se acomoda em uma quietude assustadora, como se cada gota de vida tivesse sido sugada. No entanto, espasmos lentos e descoordenados ainda percorrem suas mãos e pés, um lembrete inquietante do que acabou de acontecer.
— Ele está morrendo? — Grant insiste, com uma curiosidade quase doentia, sendo deliberadamente ignorado pelo filho que verifica os sinais vitais de Dominic com dedicação.
Dominic continua completamente imóvel, sua respiração tão superficial e irregular que Louis precisa se inclinar para ter certeza de que ainda existe. Gotas de suor frio brilham em sua testa pálida, escorrendo por seu rosto como lágrimas não derramadas. Por um momento devastador, parece que sua alma realmente abandonou aquele corpo torturado, como se sua consciência tivesse sido arrastada para algum abismo sem retorno.
— Dominic, você consegue me ouvir? — Louis pergunta, com suavidade controlada, observando os olhos de Dominic se abrirem lentamente, como se o simples ato exigisse toda sua força restante.
Dominic pisca repetidamente, seu olhar desfocado lutando para encontrar Louis através da névoa que consome sua consciência. Suas pálpebras parecem feitas de chumbo fundido, cada movimento uma batalha perdida contra a exaustão que devora suas últimas forças.
— Onde estou? — Dominic murmura, sua voz tão frágil que mal perturba o ar entre eles, sua mão tremendo ao tentar inutilmente se erguer antes de cair ao lado do corpo. O simples esforço parece drenar o que resta de suas energias.
— Dominic, fique comigo. Respire, filho, respire. — Louis instrui, com urgência mal contida, inclinando-se para tocar a testa do sobrinho que ainda queima como brasa viva. O calor que emana dele é assustador mesmo para um médico experiente.
— Tio… —Sua voz falha, os olhos começando a rolar para trás enquanto sua respiração se transforma num exercício cada vez mais doloroso. A escuridão, como um predador paciente, finalmente o puxa para suas profundezas impiedosas.
Seu corpo se debate violentamente, enquanto o pesadelo a arrasta para suas profundezas mais cruéis. Em seu sonho, está ao pé de uma escadaria imponente, observando duas meninas pequenas, não mais que três anos, brincando no topo. São idênticas, como reflexos num espelho, suas risadas ecoando pela casa até que uma disputa por um brinquedo transforma a cena em pesadelo.
O tempo parece desacelerar, enquanto uma das meninas puxa o brinquedo com força brutal. Vivienne observa, paralisada, a criança perder o equilíbrio, seus pequenos braços se agitando no ar como asas quebradas. O corpo minúsculo começa sua queda, cada impacto contra os degraus ecoando como ossos se partindo.
O pequeno corpo, tão semelhante ao seu próprio, finalmente para aos seus pés numa poça de sangue que parece pulsar como se tivesse vida própria. Com tremores violentos dominando cada músculo, ela se ajoelha diante da criança. O sangue escorre pela testa delicada formando padrões grotescos, e os olhos, seus próprios olhos refletidos num rosto infantil, encaram o vazio sem vida. Seus dedos buscam desesperadamente por um pulso, um suspiro, qualquer sinal de vida, mas encontram apenas o silêncio da morte.
— Nãooooooooo! — Vivienne berra, seu corpo projetando-se para frente num movimento violento. Tremores incontroláveis a dominam, enquanto sua respiração sai em arquejos desesperados, seu coração ameaçando rasgar seu peito.
— Senhora, aconteceu alguma coisa? — A voz alarmada de Silvia corta o ar, observando Vivienne passar as mãos, freneticamente, pelo próprio corpo como se procurasse ferimentos.
— Onde está ela? — Pergunta, levantando-se num movimento brusco, seus olhos arregalados vasculhando a sala em pânico absoluto. — Onde está minha filha? — Insiste, sua mente ainda presa numa realidade distorcida onde o horror do pesadelo sangra para o mundo real.

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