Vivienne apoia o cotovelo no ombro de Dominic com cuidado, seus movimentos carregados de uma ternura que parecia envolver ambos em uma bolha de intimidade. Seus dedos se perdem nos cabelos desalinhados dele, acariciando-os devagar, como se quisesse afastar qualquer sombra de preocupação.
Com a outra mão, ela percorre suavemente as linhas do rosto dele, seu toque leve e cuidadoso, como se quisesse gravar cada traço em sua memória. Seus dedos desenham o contorno da mandíbula, a curva do nariz, o arco das sobrancelhas, seus olhos permanecem fixos nele, absorvendo cada detalhe.
Seus lábios pousam com delicadeza no hematoma em sua testa, depositando beijos suaves, como se procurasse amenizar a dor. Depois, ela acompanha o gesto com leves carícias, seus dedos percorrendo o mesmo caminho, numa tentativa de confortá-lo.
Dominic mantém os olhos fechados, sua respiração lenta e profunda, entregue por completo àqueles momentos. O calor do toque dela não apenas aliviava a dor, mas também parecia curar algo mais profundo, algo que ele nem sabia que precisava ser restaurado. Ele não diz nada, mas o leve erguer dos cantos de sua boca entrega o quanto aquela entrega silenciosa significa para ele.
— O que aconteceu com você? — Vivienne pergunta, a preocupação tingindo sua voz, enquanto deposita beijos delicados que traçam um mapa de carinho por todo o rosto dele, até alcançar os lábios. Ali, ela se demora, numa sequência de beijos que misturam ternura e provocação, deixando um calor suave pairar entre eles. — Me diz que o todo-poderoso Grant Muller não te nocauteou. — Provoca, com um sorriso travesso, sua risada ecoando pela sala. Dominic solta um riso rouco em resposta, seus olhos cintilando de diversão ao encontrá-la tão perto, a energia dela dissipando qualquer resquício de tensão.
— Digamos que tive um encontro inesperado com o chão. — Dominic responde, com humor, sua mão deslizando pelas costas dela até encontrar sua nuca, onde seus dedos provocam arrepios que a fazem suspirar. Puxa-a para mais perto, como se qualquer distância fosse insuportável. — Você me subestima, pequena. — Sussurra, contra seus lábios, entre carícias cada vez mais intensas.
— Sério, você está bem? — Pergunta, sua voz carregada de preocupação, enquanto sua mão delicada encontra novamente a testa dele. — Você está queimando. — Murmura, seus olhos estudando cada detalhe do rosto machucado.
— Confesso que minha temperatura elevada tem pouco a ver com febre. — Rebate, com voz rouca de desejo mal contido, suas mãos deslizando possessivamente pelo tecido fino que mal a cobre. — Não quando você está assim em meu colo. — Acrescenta, capturando seus lábios num beijo que faz o ar entre eles parecer pegar fogo. — Tive um pequeno acidente a caminho da empresa. — Declara, contra seus lábios, observando o pânico surgir nos olhos que tanto o fascinam. Beija-a com uma suavidade que contradiz o desejo que corre em suas veias, tentando acalmar o medo que vê naquele olhar. — Nada grave, apenas uma concussão que me fez desmaiar após confrontar meu av...
— Nada grave? — Interrompe, com urgência na voz, seu corpo se movendo instintivamente para levantar-se, apenas para ser mantida no lugar pelos braços fortes dele.
— Por meses sonhei ouvir aquelas palavras. — Confessa, notando algo vulnerável atravessar o rosto sempre controlado dele. — Naquela manhã em que te confundi com Noah, eu estava praticamente implorando por mais. — Continua, seus dedos ainda brincando com os cabelos dele. — Estava a um passo de entregar meu coração, sem reservas. — Revela, uma sombra de tristeza brilhando em seus olhos. — Mas naquele mesmo dia, descobri da pior forma possível que não passava de uma distração conveniente. — Acrescenta, encostando sua testa na dele. — Jamais me permitiria continuar apaixonada por alguém que transformou meus sentimentos em piada e me tratou como um brinquedo. — Completa, seus olhos se fechando ao sentir os lábios dele roçarem os seus com uma ternura inesperada. — Agora, ouvi-lo dizer que me ama não faz diferença. As palavras soaram vazias, sem peso algum, e eu simplesmente não consigo acreditar nelas.
— Noah não mentiu sobre isso. — Declara, a voz carregada de frustração, enquanto as palavras escapam de seus lábios com resignação. — Ele realmente te ama, do jeito torto e egoísta dele, mas ama. — Continua, cada palavra soando como um fardo, a tensão em seu tom refletindo o peso da revelação. — Seria mais fácil se fosse apenas mais um de seus jogos. — Admite, desviando o olhar brevemente, antes de encará-la novamente. — Mas vi a verdade nos olhos dele naquela manhã, quando perguntei se ele te amava. — Completa, observando a surpresa no rosto de Vivienne, seus olhos arregalados enquanto absorve a sinceridade de sua confissão.
— Mas ele disse que não…
— Como sempre, ele mentiu. — Interrompe, a voz carregada com o peso de um conhecimento profundo que só anos de convivência poderiam trazer. Seus olhos fixam-se nos dela, refletindo uma mistura de determinação e vulnerabilidade que ele raramente deixa transparecer. — Mas talvez seja melhor assim. — Acrescenta, a hesitação em suas palavras contrasta com a firmeza do toque de seus dedos, que traçam lentamente o contorno do rosto dela. — Porque agora. — Continua, a voz baixa, como se as palavras seguintes fossem difíceis de admitir. — Agora você está aqui, comigo. — Murmura, sua voz se torna mais suave, mas não menos intensa. — E pela primeira vez na vida, sinto que algo está absolutamente certo. — Confessa, sua sinceridade pairando entre eles, preenchendo o espaço com uma conexão que, embora difícil de compreender, é inegável, como se algo desconhecido os unisse.

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