Gradualmente, Dominic sente o controle retornar ao seu corpo, enquanto as medicações fluem por suas veias, administradas com a precisão que só as mãos experientes de seu tio possuem. É um alívio profundo recuperar o domínio de si mesmo após momentos que pareceram uma eternidade de caos.
— Dominic, estou ficando velho demais para essas aventuras. — Louis resmunga, com falsa irritação, desligando a hidromassagem após verificar meticulosamente o nível da água. Seus olhos experientes avaliam o tempo desde a aplicação da medicação, satisfeitos com a resposta ao tratamento. — Sua mãe certamente virá me assombrar esta noite. — Comenta, com um sorriso nostálgico, arrancando uma risada suave do sobrinho. — Nunca aprendo a negar seus caprichos. — Completa, aproximando-se para ajudá-lo com a gentileza que reserva apenas para a família.
— Certamente que não, tio! — Dominic rebate, sua voz já soando mais forte, embora seu corpo ainda proteste em cada movimento. — Ela deve estar orgulhosa por ter você sempre cuidando de mim. — Acrescenta, com vulnerabilidade rara, deixando transparecer o profundo afeto pelo homem que preencheu o vazio deixado por seu próprio pai.
— Acha que consegue? — Pergunta, suavemente, oferecendo apoio físico e emocional como sempre fez. Dominic assente levemente, erguendo-se com movimentos cautelosos, guiado pela experiência paciente do tio até a hidromassagem.
— Obrigado. — Agradece, com um sorriso que o faz parecer novamente o menino que Louis tanto protegeu, removendo o roupão, ele mergulha na água quente e borbulhante. Um suspiro de alívio escapa de seus lábios, como se a água levasse embora não apenas o mal-estar físico, mas também o peso de suas preocupações.
— Tente não se afogar. — Provoca, a voz carregada de carinho familiar que sempre consegue aliviar o ambiente. Dominic solta uma risada fraca e, por um instante, a tensão parece se dissipar.
Sem esperar resposta, ele sai do banheiro, movendo-se com a mesma eficiência tranquila de sempre. Ele se dirige ao quarto, buscando um pijama limpo, já sabendo que as altas doses de medicação logo trarão o descanso de que Dominic tanto precisa. Mesmo assim, sua expressão permanece pensativa, como se já estivesse planejando os próximos passos para garantir que o sobrinho se recupere completamente.
Após organizar metodicamente o pijama sobre a cama, Louis pega um roupão e caminha até a porta. Quando a abre, é surpreendido por Vivienne, que cai para trás, revelando estar apoiada contra a madeira em sua vigília silenciosa. Seus olhos, brilhantes pelas lágrimas que lutam para não cair, encontram os dele com uma mistura de constrangimento e determinação.
Ela se levanta lentamente, alisando a camisola com movimentos nervosos, claramente tentando recuperar alguma dignidade. Antes que consiga formular qualquer justificativa para sua presença, Louis ergue uma mão em um gesto silencioso de compreensão. Não há necessidade de palavras, ele reconhece na profundidade do olhar dela uma preocupação sincera, quase devotada, de quem carrega sentimentos que talvez nem tenha percebido plenamente.
Sem dizer nada, Louis sai do quarto, fechando a porta atrás de si com cuidado. Enquanto caminha pelo corredor, reflete brevemente sobre o vínculo crescente entre Vivienne e Dominic. Ele não tem dúvidas de que o coração dela já pertence ao sobrinho, mesmo que isso ainda seja algo que ela própria precise aceitar.
— Ficará bem, quando aprender a seguir ordens médicas pela primeira vez na vida. — Assegura, reconhecendo nos olhos dela um cuidado que transcende qualquer preocupação casual. — O que, conhecendo a natureza de Dominic como conheço, significa que precisaremos de alguém capaz de fazê-lo realmente descansar. — Acrescenta, sugestivamente, estudando sua reação com interesse que vai além do profissional.
— Posso vê-lo? — Pergunta, com uma urgência que vem direto do coração, sua necessidade de confirmar o bem-estar dele tão palpável quanto o ar que respira.
— Não. — Responde, com firmeza, recolhendo os materiais de limpeza, enquanto caminha em direção ao quarto. — Dominic expressamente pediu para ficar sozinho agora. — Revela, observando atentamente como surpresa, frustração e uma mágoa profunda atravessam o rosto dela. — E precisamos respeitar esse momento dele. — Acrescenta, parando diante da porta como um guardião. — Se planeja permanecer aqui, o que, sinceramente, espero que faça. — Admite, reconhecendo nela algo que seu sobrinho há muito precisava. — Dê-lhe tempo para processar. Quando acordar, estará mais acessível. — Garante, notando como sua expressão suaviza quase imperceptivelmente. — Senhorita Bettendorf, há algo que precisa entender sobre Dominic. Ele possui um padrão único de intensidade emocional.
— Intensidade emocional? — Repete, intrigada por esta nova camada do homem que pensava começar a conhecer.
— Uma característica comum em pessoas excepcionalmente dotadas. — Explica, observando a compreensão despertar nos olhos dela. — O cérebro dele processa emoções profundamente. Por trás daquela muralha de frieza que construiu tão meticulosamente, existe um coração imenso e uma capacidade quase assustadora de apego. — Continua, cada palavra, uma revelação que a deixa mais fascinada. — E, mais crucialmente, ele carrega uma vulnerabilidade devastadora à rejeição. — Acrescenta, consciente de que, ao falar, está expondo aspectos da vida do sobrinho que ele talvez quisesse preservar apenas para si. — Então, senhorita Bettendorf, se não pretende se envolver além da obrigação parental, sugiro que se retire agora mesmo. — Conclui, com uma seriedade que faz o ar parecer mais denso. Por um instante, observa os lábios dela se abrirem, talvez em surpresa ou na tentativa de dizer algo, mas decide ignorar deliberadamente. Sem esperar, entra no quarto, deixando-a sozinha no corredor, acompanhada apenas pelo peso de suas palavras.

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