O olhar da mulher percorre seu corpo com um julgamento explícito, e só então Vivienne se dá conta de sua vulnerabilidade, ainda vestindo apenas a camisola que deveria ser íntima. Em seu desespero por Dominic, sua própria exposição é insignificante. Neste momento, sua única preocupação é o homem que sofre atrás daquela porta trancada.
— Sou eu quem deveria fazer as perguntas. — A mulher rebate, com hostilidade na voz, tentando forçar entrada que Vivienne bloqueia instintivamente. — Onde está Dominic? — Pergunta, seu olhar perfurando Vivienne com uma raiva que parece crescer a cada segundo, claramente dilacerada pela intimidade que a camisola sugere, um privilégio que ela nunca conquistou em seus encontros em quartos de hotel.
— Claire, que surpresa! — A voz autoritária de Louis corta o ar, fazendo Claire girar nos calcanhares, enquanto Vivienne solta um suspiro audível de alívio.
— Titio, que prazer inesperado. — Claire responde, tentando sorrir, abrindo os braços num gesto que perece quando Louis passa por ela como se fosse invisível, adentrando o apartamento com urgência profissional.
— Este não é o momento para suas visitas não solicitadas. — Declara, com frieza. — Retire-se. — Ordena, fechando a porta sem qualquer cerimônia.
— Como ousa? — Resmunga, a indignação transbordando. — Abra essa porta imediatamente!
— Claire, não me faça repetir. — Vocifera, com uma autoridade que não admite discussão. O som dos saltos se afastando ecoa pela sala, denunciando sua retirada furiosa. — Senhorita Bettendorf, ele está no banheiro da suíte? — Pergunta, seu olhar clínico avaliando a situação. Ao analisar as vestimentas dela, percebe que Dominic foi além das recomendações. Um suspiro frustrado escapa de seus lábios, enquanto sacode a cabeça em reprovação. Vivienne, compreendendo o julgamento implícito, sente o rubor subir por sua face.
— Sim, e ele não está nada bem. — Vivienne responde, dividida entre uma preocupação devastadora e um constrangimento súbito.
— Certo, vou examiná-lo. — Informa, caminhando com calma em direção ao quarto. No entanto, ao ouvir os passos dela atrás de si, para abruptamente. — Por favor, aguarde na sala. — Exige, consciente de que a presença dela apenas intensificará o desconforto de Dominic.
— Não posso ficar longe dele. — Protesta, as palavras escapando antes que consiga contê-las, apenas para ver a porta se fechar abruptamente diante de seu rosto. — Por favor, deixe-me ajudar! — Implora, o medo de algo acontecer com ele, sobrepondo-se a qualquer resquício de dignidade. A porta se abre novamente, revelando o olhar penetrante de Louis.
— Senhorita, controle-se. — Orienta, com uma firmeza quase paternal, contrastando com a intensidade de sua angústia. — Sua presença só agravará a situação. Aguarde na sala, por favor. — Finaliza, com um tom categórico, o som da fechadura ecoando pelo corredor, enquanto Vivienne permanece sozinha.
Vivienne encosta as costas na porta, o frio da madeira refletindo a ansiedade que a domina, e desliza até o chão, abraçando os joelhos com força. Sua respiração é entrecortada, enquanto tenta, em vão, focar-se nos sons vindos do quarto. O silêncio parece uma condenação, e o peso da incerteza aperta seu peito como um nó.
— Ah, Dominic! — Louis murmura, enquanto se aproxima e b**e levemente na porta. — Dom, sou eu, o titio Louis. — Declara, mantendo um tom afetuoso, mas com a tensão evidente. — Você consegue abrir a porta? — Pergunta, a calma em sua voz claramente forçada pela preocupação.
Para sua surpresa, Dominic, apesar de todo o sofrimento, abre um sorriso fraco, mas genuíno. É um sorriso carregado de uma satisfação silenciosa, quase desafiadora, como se confessasse que, para ele, cada momento vivido valeu o preço. Louis balança a cabeça lentamente, um suspiro pesado escapando de seus lábios.
— Você é impossível. — Murmura, a exasperação evidente em sua voz. Mesmo assim, retorna aos cuidados com precisão clínica, sabendo que essa batalha não será apenas contra o corpo debilitado de Dominic, mas também contra sua teimosia inabalável. — Nunca consigo dizer não para você, não é? — Indaga, o olhar fixo no sobrinho, que responde com um sorriso ainda mais largo. Sem perder tempo, começa a administrar os medicamentos para conter o sofrimento de Dominic, seus movimentos precisos, mas não desprovidos de cuidado.
— Obrigado, tio. — Murmura, a voz carregada de gratidão. O gesto seguinte de Louis, uma leve carícia nos cabelos dele, é repleto de carinho e o faz fechar os olhos por um instante, absorvendo o conforto que aquilo sempre lhe traz.
— Ela continua aqui e muito preocupada. — Informa, enquanto se afasta para encher a hidromassagem. — Posso deixá-la entrar? — Pergunta, o tom mais uma formalidade do que uma real expectativa.
Dominic, como Louis já previa, balança a cabeça negativamente, recusando com firmeza. Louis apenas assente, sem surpresa, respeitando o silêncio que o sobrinho parece ainda precisar.
— Não quero que ela me veja assim. — Confessa, a voz baixa, quase um sussurro. O peso da vergonha é evidente em cada palavra, como se admitir sua vulnerabilidade fosse um fracasso imperdoável. Ele desvia o olhar, incapaz de encarar o tio, como se estar doente fosse uma fraqueza que o expusesse por completo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Escolha Certa com o CEO Errado