Vivienne se aproxima, sentindo a tensão emanando de cada movimento contido de Dominic. Ele continua deliberadamente evitando seu olhar, como se o próprio ato de a encarar fosse insuportável. A atmosfera pesada é interrompida pelo som da campainha, abrupto e deslocado, fazendo-a olhar instintivamente para o relógio digital sobre a cômoda.
Mais do que os vinte minutos prometidos por Louis já haviam se passado, quase quarenta minutos haviam transcorrido sem que ela percebesse.
— Que momento infeliz para interrupções. — Vivienne murmura, a frustração evidente em sua voz. A interrupção chega justo quando Dominic parecia prestes a dizer algo importante, algo que talvez respondesse às suas perguntas.
Enquanto ela exala impaciência, Dominic, por outro lado, parece quase aliviado, o que só aumenta sua irritação. Sem esperar por uma palavra dele, Vivienne se vira e sai do quarto com passos decididos. Atravessa o corredor e abre a porta com um movimento brusco. Sua expressão rígida é suficiente para que Louis perceba que ela não está de bom humor.
— Você parece tão bem quanto alguém à beira de um colapso. — Louis comenta, um meio sorriso irônico nos lábios, enquanto entra no apartamento com a postura impecavelmente profissional de sempre.
— Estou no meu limite, senhor Muller. — Vivienne responde, gesticulando exasperadamente, como uma panela de pressão à beira de explodir.
— Me poupe dos rodeios e resuma. O que aconteceu? — Solicita, em um tom sério, seu olhar avaliador, percorrendo-a com calma, enquanto tenta compreender o cenário.
— Poucas horas depois que o senhor foi embora, Dominic teve uma melhora que não faz sentido. — Começa, sua voz diminuindo à medida que ela tenta organizar os pensamentos. — Não demonstrava dor, desconforto, nada. Era como se estivesse. — Faz uma pausa, procurando as palavras certas. — Como se estivesse perfeito. Melhor do que deveria estar.
— E você acredita que isso é um problema? — Questiona, inclinando levemente a cabeça, o olhar clínico cravado nela.
— Acredito que não é normal. — Responde, as palavras saindo rápidas, quase defensivas. — Ele até fez coisas absurdas, esforços desnecessários, como me carregar no colo até o quarto, mesmo com meus protestos. — Informa, percebendo a leve sombra de julgamento por trás da expressão profissional de Louis. — Não, não tivemos relações sexuais. — Esclarece, de imediato, o rosto queimando em constrangimento, enquanto cruza os braços.
— Ah, Dominic, o que faço com você? — Murmura, mais para si do que para ela, embora suas palavras deixem Vivienne olhando para ele, a sobrancelha arqueada em confusão.
— E o que exatamente isso significa? — Pergunta, a desconfiança evidente em sua voz, tingida por um incômodo que cresce a cada segundo. Seus olhos estreitam, analisando Louis como se tentassem arrancar dele a verdade que parece relutar em revelar.
— O que faz aqui, tio? — Dominic pergunta, com aparente despreocupação, embora uma nota de desconfiança colore sua voz. — O senhor mentiu para mim, por quê? — Questiona, lembrando-se claramente do que foi dito, sobre Vivienne ter ido embora, e a contradição ainda paira em sua mente.
— Você saberia se tivesse cumprido minhas ordens e evitado os esforços desnecessários. — Rebate, com firmeza, cruzando os braços num gesto que mistura autoridade médica e preocupação familiar. Seu olhar severo indica que Dominic deve terminar seu café antes do exame. — Ah, Dominic! Não sei onde você quer chegar com essa teimosia. — Acrescenta, sentando-se na beirada da cama, seus olhos nunca deixando os dele.
— Bem, não se preocupe, ainda não chegou minha hora. — Provoca, com um sorriso irônico, embora a tensão em seus ombros revele que a situação o afeta mais do que quer demonstrar.
— Você me tira do sério, garoto. — Resmunga, removendo a bandeja do colo dele e depositando-a sobre a escrivaninha. Em silêncio profissional, conduz um exame minucioso, suas perguntas precisas, buscando alinhar as informações com o relato preocupante de Vivienne. Após guardar seus instrumentos médicos, encara o sobrinho com intensidade. — Como está se sentindo agora?
— Estou bem. — Responde, com honestidade, seu tom, revelando a familiaridade com sua condição. — Apenas sentindo os sintomas já conhecidos. — Acrescenta, consciente de que as dores musculares são o preço inevitável de suas últimas ações impensadas. Suas palavras carregam uma aceitação resignada que faz o coração de Louis apertar.
— Então, que tal você parar de ser irresponsável com o seu próprio bem-estar? — Questiona, a voz carregada de uma mescla de preocupação médica e de afeto. — Sua falta de memória das últimas horas, provavelmente… — Sua voz falha ao notar a mudança súbita na expressão do sobrinho. Seguindo seu olhar, encontra Vivienne parada à porta, seus olhos determinados, indicando não haver força no mundo que a mantenha longe dessa conversa.

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