Os dias passaram rápido, e a recuperação de Sara se deu de boa forma, tanto que em quatro dias, recebeu alta, Tyler havia a acompanhado por todo o período, havia deixado até mesmo as coisas da máfia de lado para estar ao lado dela, estando com ela por tanto tempo naquele quarto pequeno, onde tudo o que olhavam era um para outro, ele percebeu algo, o quanto por vezes ela ficava pensativa e distante, e naquele instante, dentro do carro dele, ela mais uma vez estava distante.
– tem algo te preocupando, eu posso ver nos seus olhos. – disse ele.
– não sei se devo falar disso, sei que não gosta e não quero te chatear.
– pode falar meu amor. – disse ele, mesmo aflito.
– é só que…me preocupa o fato dela estar tentando entrar em contato com você.
– o que exatamente te preocupa nisso?
– tudo, em como ela pode impactar no nosso relacionamento, o quanto ela pode te magoar, que siga te magoando, eu não quero te ver mal, também não quero te perder.
– tenho medo de me perder, de voltar a ser a pessoa triste e amargurada que fui durante anos, mas isso só vai tornar a acontecer se você não estiver a meu lado, você é tudo que preciso pra estar bem, você não vai me perder, ela é só um capítulo ruim de um livro que já acabou, eu não sou mais o mesmo que era antes dela, tampouco sou mesmo que era depois dela, eu sou um novo homem, por você, por nós dois e pode ter certeza que nenhuma tentativa de proximidade dela será aceita, tampouco deixarei que ela interfira no nosso amor, deu trabalho me reconstruir pra te amar como você merece, e não vou deixar que nada destrua o que estamos construindo juntos. – disse ele, então quando parou no sinal, a olhou com um olhar compreensivo, ela sorriu com carinho e segurou a mão dela.
– desculpe retornar a esse assunto, mas com tudo que aconteceu, entendi que às vezes mesmo doendo, o melhor é falar.
– eu entendo, e sabe, já doeu, doeu demais a ponto de quase me enlouquecer, hoje não vou dizer que não me chateia que ela tenha brincado com minha vida e com meus planos, mas tudo que sinto é desprezo, raiva. – ele disse entredentes enquanto apertava o volante em suas mãos, mas então suspirou e suavizou a mão ao ver que ela olhava aquela reação com atenção. – por isso prefiro deixar isso quieto, aprendi a lidar com a perda, com a dor, mas ainda não aprendi e nem dominei a raiva que isso me causa e de modo algum quero que isso reflita em nós dois.
– entendo, não se preocupe, vamos esquecer isso.
– como se sente? – ele perguntou já mudando de assunto.
– enjoada, não acredito que vou ficar dias tomando novamente essas vitaminas, fico enjoada, abatida e cansada.
– mas são extremamente necessárias para que se recupere rápido, quem mandou não comer suas verduras e legumes. – disse ele relembrando a fala de Julie, o que fez os dois rirem.
– e graças ao Patrick tenho levado bronca da Julie todos os dias. – disse ela, então os dois riram mais uma vez.
Ao chegarem em casa, Sara olhou com carinho, não haviam sido tantos dias longe, mas o suficiente para fazê-la sentir falta e pensar que, o que havia conquistado ali, merecia ser cuidado com muito amor.
– quer deitar? – ele perguntou a abraçando por trás.
– sim, mas estou faminta, a comida do hospital não estava matando minha fome direito, será que o almoço já está pronto?
– talvez, mas é melhor deitar, vai ser seu primeiro dia em casa sem todos os medicamentos que tomava lá, é melhor sermos cautelosos.
– tudo bem.
– prefere ficar no seu quarto, ou no nosso?
– bem, somos marido e mulher e eu quero viver isso da forma correta. – disse ela, então virou-se dentro do abraço dele e o beijo, ao fim do beijo ele sorriu, então juntos seguiram em direção ao quarto que antes era só dele, mas que agora, era de um casal. Assim que entrou, Sara olhou ao redor, então pôde ver pequenas mudanças. – por que trocou o espelho e a cômoda, o abajur, eu amava aquele abajur. – disse ela, ele sem graça deslizou a mão pelo cabelo.

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