Naquela manhã, o trabalho havia sido exaustivo. Ele aproveitou um tempo livre para pescar, mandou alguém levar o peixe para que Dona Ema o preparasse e, assim que a reunião terminou, foi para casa pegar a refeição pronta, apressando-se para entregar a ela.
Ela não apenas não demonstrou gratidão, como também o deixou furioso.
Ele foi embora, e Beatriz Cavalcante sequer olhou para ele.
Jonas Mendes correu para acompanhar seu chefe e também partiu.
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A cirurgia de Marta Cavalcante terminou oito horas depois. Das oito da manhã às seis da tarde, todo o processo foi longo e agonizante.
Felipe Valente acompanhou Beatriz pacientemente durante aquelas oito horas, confortando-a de tempos em tempos.
Ela estava muito grata.
Quando o médico saiu e informou que a cirurgia havia sido um sucesso, Beatriz finalmente relaxou toda a tensão de seu corpo e agachou-se no chão.
Felipe agachou-se ao seu lado, dando tapinhas suaves em suas costas, com uma voz calma:
— Tudo acabou agora. Sua mãe precisa ir para a UTI ficar em observação. Você não comeu direito o dia todo, vamos comer alguma coisa juntos?
Beatriz ergueu a cabeça para olhá-lo, com os olhos vermelhos:
— Tomei muito do seu tempo de novo para ficar comigo...
Ela realmente não sabia como agradecer.
O homem sorriu de forma reconfortante:
— Para acompanhar uma garotinha como você, eu tenho todo o tempo do mundo.
Sua voz era serena, quase com o tom afetuoso de um familiar mais velho.
Beatriz congelou por um instante. No passado, seu irmão também costumava falar assim.
Ela ficou um pouco atordoada; estava com tanta saudade do irmão...
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Depois de jantar com Felipe Valente.
Beatriz voltou para casa para pegar algumas roupas limpas.
Ao entrar, sentiu um forte cheiro de cigarro. Franziu a testa, acendeu a luz e viu Arthur Diniz sentado no sofá. O cinzeiro na mesa de centro estava cheio de bitucas e cinzas.
Ele ainda segurava um cigarro entre os dedos, e a sala inteira estava envolta em fumaça.

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