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A Esposa Invisível romance Capítulo 100

Beatriz pegou a comida das mãos do secretário, com os olhos baixos, sem sequer olhar mais para Arthur, e disse com a voz calma e distante:

— Obrigada, Sr. Diniz.

Ouvindo aquele tom completamente neutro e desprovido de emoção, o olhar frio de Arthur escureceu. De repente, em sua mente, vieram as lembranças do passado: de como Beatriz sempre o olhava com um sorriso gentil e, mesmo diante de sua frieza, sempre se mantinha radiante e compreensiva; e mesmo em seus recentes surtos de histeria, nunca fora como agora. Vê-la repentinamente tão educada e distante o deixou visivelmente frustrado e inquieto.

Ele franziu a testa, prestes a dizer algo, quando, coincidentemente, recebeu uma chamada de trabalho. Ele olhou para o celular e, por fim, virou-se para atender.

A ligação era um relatório sobre o progresso do trabalho, mas ele escutou distraído. Assim que desligou, virou-se para voltar. Ao virar a esquina, viu Beatriz caminhando até a lixeira com a marmita na mão. Com o rosto levemente pálido e sem nenhuma emoção, ela levantou a mão e jogou a comida, que ele mesmo havia pescado e trazido pessoalmente, diretamente no lixo.

Os passos de Arthur pararam bruscamente, e o seu rosto escureceu como se estivesse coberto por nuvens de tempestade.

Naquele instante.

Felipe Valente se aproximou de Beatriz, entregando a ela uma garrafa de água, e falou de maneira atenciosa:

— Se não quer comer, não tem problema. Beba um pouco de água, tente não ficar tão ansiosa.

— Tudo bem. — Beatriz sorriu de forma suave, pegou a água e bebeu alguns goles.

A cena fez os cabelos do Sr. Mendes se arrepiarem, e o seu coração pareceu estar prestes a saltar pela boca. Ele não teve coragem de olhar para a expressão de Arthur, tentando se camuflar o máximo possível.

O rosto de Arthur ficou ainda mais sombrio ao assistir à cena. Sua mão apertou o celular cada vez mais forte, e uma aura densa e pesada o envolveu, fazendo até mesmo o ar ao redor do corredor esfriar alguns graus.

Então o que ele dava era, aos olhos dela, puro lixo? Ela havia esmagado o orgulho dele bem ali, na frente de um outro homem!

Com o rosto travado, ele deu passos em direção a Beatriz.

Ele fixou o olhar no rosto de Beatriz: pequeno e delicado, exatamente como antes, mas agora havia uma frieza estranha que ele nunca tinha visto nela.

No fundo dos olhos de Arthur, as emoções iam e viam; um ar pesado de melancolia agitava-se incansavelmente. No entanto, ao cruzar com os belos olhos de Beatriz, agora frios e pacíficos como água parada, ele puxou os cantos dos lábios e desviou o olhar para o abdômen ainda liso dela por um longo momento.

Foi só então que, com rara contenção, ele segurou sua raiva e perguntou:

— A comida não estava do seu agrado? O que você quer comer? Eu mando a Dona Ema ou o cozinheiro preparar algo novo para você.

— Eu não quero comer. — Beatriz disse, sem nem mesmo lançar um olhar direto para ele, soando distante e tranquila: — O Sr. Diniz é ocupado. Por favor, vá embora.

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