Daniel deu um leve engasgo. Fitou-a com um olhar profundo, repleto de culpa e autocensura:
— Fui eu que não consegui salvar o seu pai.
— Era o destino dele. — Beatriz sorriu amargamente. — A culpa não é sua. Você fez o que pôde.
Naqueles dias, observando a aparência abatida de Beatriz, Daniel sentia uma profunda impotência em seu coração.
Naquele momento, diante de Otávio Cavalcante, ele havia feito de tudo. Aplicou massagem cardíaca, esgotou todas as medidas de emergência possíveis, até suas forças acabarem. E, mesmo assim, não conseguiu reanimá-lo.
No exato segundo em que o coração de Otávio parou definitivamente, ele sentiu como se o seu próprio coração tivesse falhado uma batida. Ele se recusava a desistir e continuou as manobras.
Foi um colega quem precisou avisá-lo de que era tarde demais. Que continuar com aqueles esforços inúteis só tornaria a partida do falecido ainda mais difícil.
Naquele momento, ele olhou para as próprias mãos, olhou para Otávio Cavalcante, já sem respiração nem batimentos, e duvidou se era realmente capaz de exercer a profissão de médico...
Logo em seguida, avisaram-lhe que a casa de Beatriz estava em chamas e que ela não conseguia sair.
Ele quase não se aguentou em pé. Nem ousava imaginar o que faria se Beatriz também não pudesse ser resgatada...
Felizmente, os bombeiros chegaram a tempo e Beatriz sobreviveu.
Daniel abaixou os olhos, todo o seu corpo exalando uma pesada amargura, mas não disse mais nada.
Beatriz lançou-lhe um olhar profundo, ergueu a mão e deu leves tapinhas no dorso da mão dele:
— É sério. Eu não culpo você.
— Não se culpe. Eu te liguei para pedir que salvasse o meu pai. E se ele, no fim das contas, não pôde ser salvo, e eu ainda por cima te culpar por isso, te fazendo sentir essa culpa tão grande... Eu me arrependeria amargamente de ter feito aquela ligação...
— Você e eu somos médicos. Eu sei que a hora dele havia chegado.
Daniel murmurou e segurou a mão de Beatriz:
— Você já está sofrendo tanto e ainda tenta me consolar.
Ele a encarou, os seus olhos penetrando as profundezas da alma dela:
— Eu... eu posso ter a chance de te proteger?
A mão de Beatriz tremeu levemente e ela ficou pasma por um instante.
Daniel abaixou o olhar e deu um sorriso autodepreciativo:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Invisível