Daniel saboreou o chá, falando em um tom baixo e afável.
— Você tem feito um ótimo trabalho na clínica. Se afastou porque Clara foi desrespeitosa com você no banquete de noivado e temia arruinar a minha relação com ela. Mas agora que tudo está resolvido, qual o seu receio?
Diante daquelas palavras, parecia não haver mais motivos para hesitação. Encontrar um bom parceiro de negócios poderia poupar-lhe muito esforço.
— Você acredita que meu pai não cometeu aqueles crimes? — Beatriz indagou.
— O diretor Otávio sempre foi um homem de caráter irrepreensível. Ele foi meu mentor; eu o respeito e acredito plenamente em sua integridade. Ele jamais faria tais coisas. — Daniel a fitou com firmeza.
— Além disso, esta indústria tem seu lado obscuro. Só entrando de cabeça é que poderemos investigar adequadamente. — Completou ele.
Ao retornar ao país, ele não assumira os negócios da Família Ventura, mas ingressara diretamente no Hospital Huadong como vice-diretor, como se tivesse caído de paraquedas.
O único motivo por trás disso era Beatriz.
Otávio Cavalcante havia se envolvido em problemas devido a um projeto do Huadong. A raiz de todo o mistério residia naquele hospital.
— Agora que sou o vice-diretor do Huadong, posso fornecer qualquer informação que você precise. — Daniel a observou intensamente. — Você confia em mim?
— Eu confio, mas por que... por que quer me ajudar? — Beatriz apertou a xícara em suas mãos e o encarou com as sobrancelhas franzidas.
— O diretor Cavalcante salvou a minha carreira médica no passado, isso serve como motivo? Sem ele, eu não seria quem sou hoje. — O olhar de Daniel pairou profundamente sobre ela. — O outro motivo...
— Agora você está solteira, mas eu não estou. — Ele falou com um tom carregado de significado, e logo depois soltou uma risada autodepreciativa.
Havia coisas que ele não precisava dizer em voz alta.
— Clara é uma boa moça. — Beatriz sustentou o olhar.
— Sim, ela é. — Daniel respondeu com doçura, embora seu tom escondesse uma ironia cortante. — Uma ótima moça.
— As aparências iludem, por isso nunca se deve confiar cegamente na natureza humana. — Ele a olhou com um sorriso.
— Basta confiar que eu jamais faria nada para prejudicá-la.
— O mais adequado para nós é sermos apenas amigos e parceiros de negócios. — Beatriz respirou fundo, desviando o olhar.


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