O que terá a Família Ventura feito para transformar um homem tão gentil em alguém capaz de atitudes tão cruéis?
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No caminho de volta para casa, Beatriz dirigia com tranquilidade.
Ela avistou Jonas Mendes e um grupo de pessoas à beira da rua, com tripés e coletes refletores, parecendo procurar algo no chão.
O Sr. Mendes reconheceu a placa do carro dela e acenou de longe com um sorriso.
Beatriz abriu um sorriso discreto, respondendo educadamente, mas não parou; seguiu em frente com o carro.
Jonas soltou um leve suspiro.
O clima pós-ano-novo ainda não havia esquentado, e as ruas continuavam congeladas e cobertas de neve. Procurar aquelas duas alianças estava lhe custando suores frios.
Quando ele fora contratado, há mais de uma década, ninguém o avisara que esse tipo de tarefa também estaria sob sua responsabilidade. Ele estava exausto.
A mente do Sr. Diniz era como uma agulha no fundo do oceano. Em um momento de fúria, atirara as alianças longe, sentindo-se vingado; agora, ordenara que procurassem o par pelas ruas, deixando seu secretário beirando o desespero.
Naquela noite, Beatriz havia marcado um jantar com Felipe Valente.
Quando ela chegou, Felipe já estava à sua espera.
— Felipe. — Beatriz o chamou. — Você chegou bem cedo.
— Como eu poderia deixar a minha irmãzinha esperando? — O homem usava roupas elegantes de corte oriental, transmitindo grande serenidade. Ele passou o cardápio a ela. — Pedi alguns dos seus pratos favoritos, veja se quer acrescentar mais alguma coisa.
— Você conhece muito bem as minhas preferências. — Beatriz pegou o cardápio e, ao se aproximar dele, sentiu um leve cheiro de antisséptico em suas roupas. O cheiro característico de antisséptico hospitalar
Ela era muito sensível àquele tipo de aroma.
— Você foi ao hospital hoje? — Indagou, fitando-o com atenção.
— Apenas alguns exames de rotina. — Felipe deu um sorriso contido.

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