Beatriz tinha dificuldade para respirar e só queria se soltar dele. — Se ele me trata bem ou não, isso não tem nada a ver com você.
— Nada do que eu faço tem a ver com você. — Beatriz estava com os olhos marejados. — O que significa me encurralar no banheiro agora?
A cintura da mulher era macia e fina, debatendo-se e contorcendo-se incessantemente em seus braços.
Mas aquela pouca força que ela tinha, aos olhos dele, parecia mais uma sedução, como se ela fingisse resistir para provocá-lo.
Ele gostava do corpo dela, e já fazia muito tempo que não a tocava.
Desde a primeira vez que ela pediu o divórcio, ele não havia mais tocado nela, e, depois, quando ela engravidou, ele evitou ainda mais.
Mas, no fim das contas, foi tudo uma mentira dela.
O bebê já não existia mais há muito tempo...
O homem encarou os lábios vermelhos que se moviam, apertou o queixo dela com uma mão e abaixou a cabeça para beijá-la.
O perfume suave da mulher invadiu-lhe as narinas, um cheiro familiar e capaz de fazê-lo perder o controle.
No momento em que foi beijada, a mente de Beatriz ficou quase em branco. Após recuperar a consciência, ela se debateu e deu-lhe uma mordida feroz.
Sentindo a dor aguda, o homem soltou um gemido abafado, mas não a soltou.
A aura que emanava dele carregava uma possessividade intensa, como se quisesse esmagar tudo.
Beatriz não conseguiu se soltar, e apenas quando estava quase sem ar, Arthur a libertou.
Ela arfava profundamente, com a boca ainda tomada pelo gosto de sangue e pelo cheiro dele.
— Seu canalha! — Com os olhos avermelhados, ela encarou Arthur com indignação.
No segundo seguinte à sua fala, Beatriz ergueu a mão e lhe deu um tapa no rosto.
O rosto do homem virou ligeiramente com o impacto. Ele empurrou levemente o interior da bochecha com a ponta da língua e fixou os olhos escuros nos lábios dela, agora vermelhos devido ao beijo que ele dera.
— Arthur, se houver uma próxima vez, eu o denunciarei por assédio! — Beatriz falou com uma voz fria.
— Tudo bem.


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