Ao lado de Sophia, Arthur tinha os olhos frios e a expressão sombria.
— Senhorita, por favor, não interrompa a nossa refeição. — Beatriz apoiou o queixo nas mãos, lançando um olhar indiferente para ela.
— Acredito não tê-la ofendido de nenhuma forma. — Sophia mordeu os lábios, fingindo-se consternada. — Só vim dizer olá ao ver vocês aqui.
— Por que escolheram uma mesa na varanda? — Sophia suspirou e tentou colocar no rosto sua máscara mais amigável. — Este restaurante pertence ao Arthur. Venham conosco para a área reservada no andar de cima.
— Afinal, nós nos conhecemos. É o mínimo de hospitalidade que podemos oferecer. — Completou, enchendo-se de importância.
Sophia portava-se como se fosse a dona do estabelecimento e a anfitriã oficial.
Ela havia voltado do exterior para o feriado e retornaria no fim do mês. Seus estudos acabariam na primeira metade daquele ano.
Enquanto estivera fora do país, preocupara-se muito que os dois reatassem a relação. Porém, ao descobrir que eles haviam se divorciado, sentiu um imenso alívio.
— Pode poupar a sua arrogância. Beatriz e Arthur estão divorciados, e você, que não passava de uma amantezinha, finalmente garantiu seu lugar. Só alguém como você usaria uma simples mesa VIP como motivo para se exibir. — Felipe pousou lentamente o garfo e sorriu para Sophia.
Sophia apoiou a mão na barriga. Já estava grávida de cinco ou seis meses, e a gestação era visível.
— As suas palavras são cruéis e carecem de justiça, Sr. Valente. Eu não fui amante. Quando me envolvi com o Arthur, eu nem sequer sabia que ele era casado. — Ela o fulminou com o olhar.
— Se você não foi a amante, como explica essa barriga tão grande se faz apenas um mês que os dois se divorciaram? Quem mais poderia ser? — Retrucou Felipe secamente.
— Se o divórcio não tivesse saído, essa sua criança estaria condenada a viver como bastarda nas sombras. — Ele sentenciou.
O rosto de Sophia empalideceu brutalmente. Assumindo o papel de vítima, ela puxou a manga do casaco de Arthur.
— Você a assustou. — Arthur encarou Felipe com uma expressão tenebrosa.
— Então, queiram se retirar. — Felipe riu com escárnio.
— Este restaurante pertence ao Arthur. — Sophia franziu a testa em descontentamento.
— Um estabelecimento comercial escolhe agora quem vai ou não atender? — Beatriz fuzilou Arthur com uma zombaria cortante. — O Sr. Diniz realmente tem muito jeito para os negócios. Um verdadeiro titã da indústria.
— Vamos embora, Felipe. — Beatriz pegou sua bolsa e levantou-se da mesa.
Arthur contraiu os maxilares, as sobrancelhas unidas em desagrado.

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