Beatriz cerrou os lábios.
Embora procurasse manter a racionalidade, a tremedeira incontrolável acometeu o seu corpo.
— Nós já estamos divorciados. — Avermelhada pelo sentimento, fitou-o e exclamou.
— O divórcio significa que não podemos mais ter intimidade um com o outro? — As íris tenebrosas de Arthur não mostravam traço de preocupação.
— Desavergonhado.
Com a garrafa agarrada à mão, fez menção de virar, mas viu o utensílio sendo-lhe tirado.
O instante subsequente foi ocupado por um abraço, que a tragou de volta.
A lufada de calor a enlouquecia, ativando ainda mais sua repulsão.
— Solte-me agora!
— Deixando os rebentos alheios chamarem de mãe. — O tom ríspido despencou da boca de Arthur. — Ficamos cinco anos casados. Por que você me rejeita com tanta força agora que eu te abraço? De onde veio toda essa frieza repentina?
Imbecil.
Beatriz abominava a ideia de cultivar algum contato.
A família Diniz praticamente arruinou toda minha vida.
Esse palpite acompanhara o passamento do pai. Embora carecesse da base fática, os presságios esmiuçavam um quadro incômodo e errôneo.
— Deixe de agir assim. — A voz de Beatriz exalava fadiga: — Todos nós crescemos. Não perco tempo brincando de briga. O divórcio representou a total ruptura. Por que seguir no apego doentio?
Ciente de que o embate lhe fugiria das mãos, largou as defesas e cessou o uso vão da força.
Acostada a ele, a respiração de chumbo foi escutada.
Arthur gargalhou com malícia, apertou seu queixo e desceu para um beijo perturbador.
Aquilo ocorria novamente.
Beatriz apertou os olhos.
Era como se um animal tivesse me mordido sem nenhum motivo.
O resultado inalterado. Outrora, no shopping, dera uma mordida em seu retorno.
Contudo, nada dele freou a fúria. A cada segundo a demência encorpava.

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