Beatriz: "..."
Ele trabalhava com muita agilidade, parecendo um veterano naquilo. No exterior, quando alguém prestava um serviço ajudando com bagagens, o costume era sempre pagar uma gorjeta aos funcionários.
Talvez fosse assim que ele ganhava a vida.
Depois de carregar todas as coisas até o quarto do hotel, ele olhou para Beatriz com um sorriso nada modesto e disparou: — Eu quero comer um bife.
Quando os dois desceram, Beatriz lhe entregou o cardápio.
Ele vestia um moletom e calças confortáveis. Sua pele era muito pálida e, sob a luz do sol, brilhava ainda mais.
Era o tipo de tom de pele que praticamente todas as mulheres no Brasil invejariam.
Beatriz apoiou o queixo na mão, analisando-o distraidamente.
Ele pareceu notar o olhar de Beatriz e disparou em português fluente: — Moça, se quiser me olhar à vontade, não precisa ter vergonha nenhuma.
De repente, ele falou em português impecável.
Pega no flagra, Beatriz não se sentiu nem um pouco constrangida. Apenas ergueu uma sobrancelha: — Então você fala português.
— E eu não imaginava que o seu inglês fluísse num padrão tão perfeito. — Ele se apresentou: — Meu nome é Blake Alistair.
— De agora em diante, pode me chamar só de Alistair.
— Certo, Alistair. Você sempre vem por aqui ajudar os hóspedes a carregarem as coisas?
Alistair baixou o cardápio. — É verdade que os meus pais não me dão muita mesada. Eu não me atreveria nem a namorar alguém.
Ele fez um muxoxo sofrido: — Depois de começar a namorar, eu gastaria muito mais dinheiro. Aí eu e a minha namorada acabaríamos tendo que pedir comida no meio da rua.
Beatriz perguntou: — Posso perguntar com o que a sua família trabalha?
Alistair a encarou com um olhar profundo e sorriu: — Nas palavras do seu país... Você está querendo checar o meu histórico?
Beatriz não esperava que aquele garoto soubesse tanto, a ponto de conhecer até essas gírias.
— Você já esteve no meu país? Pelo visto, você entende muito bem os nossos costumes e a nossa cultura.
Alistair assentiu: — Claro, eu cresci por lá. Minha mãe é brasileira.
— Quanta coincidência predestinada.
— Você ainda não me disse qual é o seu nome.

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