As palavras de Beatriz caíram, e houve uma pausa óbvia de um segundo do outro lado da linha.
Arthur apertou o celular, a escuridão em seus olhos afundando ainda mais:
— Fui bom demais com você ultimamente?
— Você acha que é algum imperador? — Beatriz sorriu friamente. — Todo mundo tem que tratar você com todo cuidado e subserviência?
Eles já estavam divorciados. Com que direito ele ainda agia de forma tão superior diante dela, ligando a qualquer hora para dar ordens?
— Arthur, preciso lembrá-lo de que seu comportamento atual passou dos limites. Mesmo que você tenha informações sobre o meu irmão e eu tenha aceitado suas condições, isso é apenas uma cooperação entre nós. Não significa que você tem o direito de agir com superioridade e me dar ordens.
— Você quer que eu ligue para Sophia agora mesmo e conte o que você está fazendo? O que a sua Sra. Diniz pensaria sobre você ainda estar envolvido com a ex-esposa?
— Beatriz, você é realmente incrível. — A voz do homem do outro lado da linha soou fria. Mesmo através da tela, Beatriz podia sentir a raiva que emanava de todo o seu corpo.
Depois de desligar, Beatriz soltou um suspiro de alívio.
Deitada na cama, sua mente não pôde evitar relembrar o passado que compartilharam.
No passado, ela nunca o rejeitava; o que ele dizia era lei.
Dá para dizer que ela tinha sido uma ótima esposa: totalmente submissa, carinhosa e atenciosa.
Mas sua obediência só lhe rendeu privações sem fim e desprezo.
Enquanto pensava na cama, sem saber quando, ela adormeceu pesadamente. No meio da madrugada, foi subitamente acordada por um telefonema.
Era Sophia.
A voz de Sophia soou ansiosa:
— Beatriz, o Arthur bebeu demais e parece estar passando muito mal. Você pode vir aqui? Vou te mandar o endereço.

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