Quando Beatriz acordou novamente, o dia já havia clareado lá fora.
A luz do sol entrava pela janela, e o ar-condicionado do quarto estava ligado.
Ela abriu os olhos e fitou o teto do quarto, com o olhar repleto de um silêncio morto.
Não havia sequer um pingo de cor em seu rosto pequeno.
Nesse momento, a porta do quarto foi empurrada por fora.
— Vou trocar o seu curativo. — A enfermeira entrou com medicamentos intravenosos e, ao vê-la acordada, sorriu levemente para Beatriz.
— Sente algum desconforto?
Os olhos de Beatriz fitaram a enfermeira, mas ela não respondeu.
A enfermeira franziu a testa ao observá-la, sentindo que o estado mental da paciente não era dos melhores.
— Se sentir qualquer desconforto, aperte a campainha a tempo e nós viremos. — Ela suspirou.
Ela tinha outros pacientes para trocar curativos e não tinha tempo para ficar conversando mais com Beatriz ali.
Assim que a enfermeira saiu, outra pessoa entrou.
Eram passos tão familiares que era impossível não reconhecer.
Ao ver Arthur entrar, Beatriz fechou os olhos.
Observando-a naquele estado, o homem abaixou levemente o olhar.
Arthur pegou a cadeira ao lado e sentou-se perto da cama.
Ele olhava silenciosamente para a pequena mulher deitada ali.
Ela parecia ainda mais abatida; a vivacidade de outrora havia sumido há muito tempo.
Nos olhos de Arthur, milhares de emoções indescritíveis estavam submersas.
— Você me culpa, não é? — Não se sabe quanto tempo se passou antes que o homem abrisse a boca, com a voz rouca.
Nesse momento, as palavras de Arthur poderiam ser consideradas gentis. Ele, que de forma inescrupulosa havia realizado o exame de DNA, agora voltava para interpretar o papel de bom moço na frente dela.
Se ela não o tivesse visto com Sophia com os próprios olhos, se não tivesse escutado a voz dele do lado de fora antes da cirurgia, Beatriz acreditaria que ele era inocente e que a família o havia mantido no escuro.

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