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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 103

Vitório

O relógio de parede marcava os minutos em intervalos compassados entre um pensamento e outro, como se o tempo também aguardasse a decisão que mudaria o rumo da vida de Vitório e de seu filho.

O escritório em tons sóbrios e estilo minimalista, da Acrópole estava mergulhado em um silêncio tenso e pesado. As paredes revestidas em madeira escura, a iluminação indireta e o aroma discreto de couro e whisky envelhecido compunham o cenário de poder.

Atrás da mesa de carvalho negro, Vitório fitava os documentos espalhados com expressão cerrada. Sua mão direita segurava uma caneta Montblanc, mas ele não escrevia, apenas girava o objeto entre os dedos como se aquilo ajudasse a clarear o caos mental que o consumia.

Diante dele, Ticiano o observava sentado da poltrona com a postura de seriedade de quem sabia exatamente o peso daquelas palavras escritas nas folhas de papel.

- Você precisa tomar uma decisão. – Ticiano disse, olhando para os documentos que ele mesmo distribuiu sobre a mesa de Vitório.

A ligação foi dele. Um chamado sobre algo urgente que requeria sua presença na Acrópole imediatamente.

Imaginou que se tratava de alguma nova exigência da mineradora americana que estavam adquirindo, por isso chegou preparado para fazê-los entender que as coisas seguiram conforme o que já havia sido estipulado no acordo fechado na última semana que passou.

Mas o que encontrou, foi outro problema. Um pessoal, e muito delicado.

Vitório olhou para os documentos sobre a mesa. A palavra ADOÇÃO gritava em alto e bom som.

Lucila tinha agido pelas suas costas, e agora um processo de adoção estava em andamento. Um processo que não poderia acontecer de forma alguma.

- Quanto tempo tenho antes dessa visita da assistente social?

- Não dá para saber. Acho que você está no lucro se ainda não receberam ninguém para verificar o garoto e o lar acolhedor. – Ticiano respondeu. – As visitas não são marcadas, podem acontecer a qualquer momento, para que lugar seja avaliado sem nenhuma interferência ou tentativa de ludibriar o julgamento dos assistentes sociais.

- Quero um advogado. – Ticiano assentiu, e se levantou. – Ticiano.

Vitório chamou.

- Contrate o Munhoz. Eu não estou contratando ele só porque é o melhor. Acho que você ainda não entendeu meu ponto. – Vitório guardou os documentos em sua gaveta, e olhou para o seu amigo firmemente. – Henrique e Efraim Carrano se formaram juntos e foram reitores da mesma universidade. Ambos jogam golfe toda quarta e sexta no mesmo clube e suas esposas são irmãs.

O olhar de Ticiano mudou imediatamente, e logo ele se levantou praguejando.

- Seu filho da puta. – ele disse, antes de esboçar o sorriso sarcástico. – Eu não sei por que ainda me preocupo com o que faz com a porra da sua vida. Você nunca dá um passo sem saber exatamente como fazê-lo.

Mesmo com essa questão alinhada estrategicamente. Vitório não conseguia compartilhar da mesma tranquilidade de Ticiano. Porque logo ela estaria de volta, e enquanto Astrid tecesse sua teia para destruir sua família e sua vida, ele teria que agir friamente para fazer a mãe de seu filho desaparecer de uma vez por todas.

Não havia nenhuma possibilidade de deixar ela sumir de novo. Jurou naquela noite em que ela lhe deu a cicatriz hedionda em seu peito, que não descansará enquanto não visse a vida se apagar de seus olhos.

- Cara, para de pensar naquela louca. Se concentra no agora. A Lucila vai ficar ensandecida quando souber que você interferiu na adoção do garoto. Você precisa pensar no que fazer, ou pode dar adeus a essa nova fase de brincar de médico o tempo todo.

- Pare de falar como se soubesse da nossa vida íntima, isso é bizarro pra caralho. – respondeu, com uma carranca.

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