Pela segunda vez a porta de seu escritório foi escancarada.
Sentada atrás de sua mesa, ela levantou o olhar concentrado da tela do computador onde analisava alguns e-mails recebidos antes da viagem do feriado prolongado.
A presença de Vitório preencheu toda a sala de repente. Seus olhos de um cinza mais profundo varreu o ambiente rapidamente, a expressão ameaçadora e perigosa instantaneamente foi substituída por algo parecido com indiferença ou alívio, não sabia dizer.
“Você chegou um pouco tarde. Ela já foi embora.” Lucila disse, com gestos firmes.
Sem dizer uma palavra, ele fechou a porta atrás de si, e com poucos passos largos chegou até ela, a levantando. Vitório se encostou na borda da mesa e abraçou forte, suas mãos acariciando seu corpo com um tremor que não era comum para um homem tão seguro e controlado.
Esse era o efeito que Astrid tinha sobre ele? Como seria quando se encontrassem pessoalmente?
- Me diga que está bem. – ele disse em sua ouvido.
O sol da tarde iluminava seus corpos colados um no outro. Vitório a afastou um pouco, e sustentando sua coluna com um braço, ele levou a outra mão delicadamente no ventre dela. Seus olhos arrefeceram instantaneamente, o tom de verde foi surgindo, iluminando tudo. Lucila acompanhou seu olhar, pousando sua mão sobre a dele.
Seus olhos marejaram de emoção.
A reação dele era preocupação, e cuidado.
Por ela... e por esse bebezinho que crescia dentro dela.
Vitório acarinhou seu ventre com reverência, o calor de sua palma era mais agradável que o próprio sol. Lucy levantou os olhos marejados.
“Nós estamos bem. Ela não pode fazer nada contra nós, porque eu te amo. Não vou te deixar.” Ela gesticulou suavemente.
- Isso nunca devia ter acontecido. Aquela psicopata não podia se aproximar de você. – Vitório segurou o rosto dela entre as palmas. – Nunca mais fique sozinha com ela. Eu te prometo, meu amor, isso nunca mais vai acontecer.
“Eu disse que estamos bem. Não se preocupe tanto, Vitório. Você chegou como se estivesse prestes a matar alguém. Chegou a me assustar.”
- Se a encontrasse aqui... – ele começou.
Mas Lucila enlaçou seu pescoço, não queria ouvir nada negativo agora, ela só queria sentir o deleite de estar nos braços dele. Se esticando na ponta dos pés, Lucy o beijou, movimentando seus lábios com paixão sobre os dele.
O abraço dele a envolveu completamente, e a língua sedenta de Vitório invadiu sua boca com exigência e necessidade. A intensidade do ato cheio de amor, desejo e paixão se tornou imperativa, Lucila nem mesmo conseguia se lembrar de suas resoluções, e do que precisava conversar com seu marido.
Braços fortes a colocaram sentada sobre a mesa, Vitório a deitou sobre ela, abrindo os botões frontais do lindo vestido de cachemira lavanda que ela usava. Mas no terceiro botão, a porta foi aberta e com o rosto de Vitório mergulhado entre seus seios, Lucila viu Eric DelaVille estacar chocado.
Ele a girou para que ficasse de frente para a mesa.
- Então vamos ver o que é. – ele disse num tom sério.
Ao abrir a pasta, se depararam com vários documentos. Lucila lia com avidez, sentindo seu peito afundar a cada palavra.
- A Strauss é uma das patrocinadoras fundadoras do Instituto? – ele perguntou rispidamente, depois de terminar de ler.
Lucila só assentiu. A grande multinacional era uma das grandes parceiras de negócios da Acrópole e do Grupo Drumond, que investiu no Instituto logo em sua fundação. Grande parte dos fundos do Mãos Ativas e dos recursos inovadores provinham da Strauss.
- Astrid é a nova representante da Strauss, e está exigindo um relatório de gastos e uma auditoria geral das contas do Instituto, alegando possível desvio de verbas.
As palavras de Vitório a desconcertaram. Então foi por isso que ela veio, não foi só para tripudiar e revelar o envolvimento com Vitório. Essa mulher estava mostrando que tinha muitas armas e iria atacar de todas as formas possíveis.
“Como isso é possível? O representante da Strauss sempre foi a Luma Caran, ela é a CEO da empresa no Brasil. Que envolvimento essa mulher ordinária poderia ter com uma empresa desse porte?!”
- Não se preocupe tanto. Ainda não sabemos como ela voltou ao Brasil, e nem como está representando a Strauss, mas logo vamos saber. – ele ajeitou seu blazer creme, e os cabelos dela, beijando sua face com suavidade. – Vamos almoçar?

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