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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 147

Vitório

A casa de Ícaro e Amélia estava cheia naquela noite, e, para Vitório, aquilo era quase uma novidade. Não que não tivesse participado de tantos jantares de família, mas dessa vez havia uma sensação diferente no ar.

A expectativa em torno de Lucila e do bebê deles que ela carregava parecia transformar cada sorriso, cada gesto, em algo mais luminoso. Até mesmo o som das risadas das mulheres vindo da cozinha, ecoando até a sala de estar, parecia uma música cheia de esperança em meio ao cenário sombrio que os negócios e a volta daquela vadia desgraçada haviam pintado em suas vidas.

Lucila tinha desaparecido para a cozinha junto com Amélia e Samanta. Amélia, como sempre, não conseguia se conter diante da ideia de um novo bebê na família e já conversava entusiasmada sobre enxovais, nomes e memórias de seus próprios partos.

Samanta, por sua vez, ria alto, provocando as cunhadas com piadas sobre o excesso de zelo que os irmãos Darius tinham quando suas mulheres estavam grávidas, como verdadeiros guardiões, prontos a travar uma guerra contra qualquer ameaça, real ou imaginária. Vitório podia imaginar o sorriso de Lucila, mesmo que não estivesse no mesmo ambiente que ela, sentia seu coração aquecendo, como se mergulhasse nas águas cálidas do mediterrâneo.

Ele, junto de Ícaro e Alberto, estavam sentados no chão da sala, rodeado pelas crianças e por um verdadeiro arsenal de peças de trem elétrico. O circuito em construção já havia tomado quase todo o ambiente, serpenteando em trilhos de metal que se uniam e se abriam em bifurcações engenhosas. Túneis de plástico, pequenas casinhas coloridas e estações em miniatura completavam a cena. Era como se o espaço fosse transformado em um mundo novo, guiado pela imaginação dos pequenos e pela paciência, ou teimosia, dos pais.

Olavo estava radiante. Seus olhos verdes acinzentados faiscavam com entusiasmo enquanto explicava ao pai onde as próximas peças deveriam ser encaixadas.

– Papai, se a gente colocar a ponte aqui, o trem vai passar por cima da estrada e fica bem mais legal! – disse, apontando com o dedo e já tentando puxar a caixa de peças.

Vitório sorriu e passou a mão pelos cabelos do filho, bagunçando-os com carinho.

– Você pensa como um verdadeiro engenheiro, carinha. – elogiou. – Talvez construa muito mais que pontes um dia.

O menino, sem perceber a emoção que se escondia no tom do pai, apenas riu.

– Vou construir um castelo! – respondeu, inflando o peito. – Um castelo gigante, pra você, a mamãe e o bebê!

A palavra “bebê” saiu quase como um grito de vitória. O orgulho e a empolgação de Olavo eram tão genuínos que Vitório sentiu o coração apertar.

Ainda que não quisesse, a lembrança amarga de tudo o que perdeu com o filho invadiu sua mente. Não o viu nascer, não o embalou no colo, não esteve presente nos primeiros passos nem nas primeiras palavras. Foi privado de tudo aquilo. Mas agora, com Lucila, teria a chance de acompanhar cada detalhe, e, mais que isso, Olavo teria também, ele se tornaria irmão de alguém e aprenderia a amar e cuidar desse bebê. Dessa vez, nada seria roubado.

Ícaro, sentado próximo, observava o sobrinho com um raro brilho nos olhos. Ele ajudava Maya e Tay a encaixarem trilhos em curva, com a paciência de um pai dedicado, acostumado ao furacão Maya, que não parava um segundo.

– Esse garoto tem o jeito dos Darius. – comentou, sem desviar o olhar da peça que encaixava. – A calma de arquitetar e a persistência de não parar até terminar.

Alberto soltou uma gargalhada solta.

– Calma? – provocou, olhando para Olavo. – Esse moleque tem o mesmo gênio do pai. Quero ver quando o trem descarrilar, ele vai acabar com os operários dessa ferrovia. – brincou Alberto. – Não me esqueci de como ele tripudiou quando me venceu no xadrez.

– Não vou! – Olavo protestou, indignado. – Só fico bravo quando não me deixam terminar o que eu comecei.

Vitório e Ícaro trocaram um olhar rápido, cúmplices. A resposta era tão típica dos Darius que não havia como negar.

Capítulo 147 Em família 1

Capítulo 147 Em família 2

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