Astrid
- Estava te esperando, meu amor. – ela disse, caminhando até Hans.
Escolheu um vestido rosa pálido e um par de Louboutin brancos com detalhes em diamantes. A combinação era bem graciosa, mas muito fechada e sem atrativos para o gosto dela, mas era essa a aparência de recato elegante que Hans apreciava e era assim que precisava se apresentar para ele.
Seus cabelos estavam soltos e somente uma mecha na lateral de sua cabeça foi presa com o pente de metal cravejado de pérolas e cristais cor de rosa. As joias pequenas e delicadas adornavam seu pescoço e orelhas. A imagem no espelho era de perfeita esposa amorosa e pura.
No entanto, Hans adentrou o hall sem lhe dirigir um olhar.
Caminhando para dentro a passos largos, ele tinha uma expressão fria e distante.
“O que diabos pode ter acontecido?” se perguntou irritada.
Hans contava os minutos para voltar para seus braços, desde que se conheceram. Ele a idolatrava. Esse homem poderosíssimo estava sob seu controle em todos os sentidos. Nunca arriscaria voltar ao Brasil sem essa certeza. Então o que aconteceu para deixá-lo assim?
“Mais que inferno! Mais essa!” Astrid pensou, fervendo de raiva contida e mascarada por trás da aparência angelical.
Se arrumar como uma mocinha virginal estava acabando com sua paciência, e hoje quase se tornou impossível depois do que testemunhou do lado de fora daquele maldito Instituto. Depois de ser expulsa pela muda maldita, voltou para o carro e mandou o motorista esperar alguns minutos enquanto decidia se voltava lá e fazia aquela vadia maldita se arrepender agora ou não. Seus dedos gelados acariciaram a arma que carregava dentro da bolsa com uma espécie de carícia.
Queria ver aquela muda maldita agonizar no próprio sangue, em desespero. Mas esse não era o momento. Quando finalmente acenou para o motorista, viu Vitório estacionar do lado leste do prédio e entrar com passos rápidos para dentro.
Vê-lo correr daquela maneira para ela a deixou de péssimo humor. No entanto, quando o carro parou próximo da janela do escritório da vadia muda, a cena que viu a paralisou. Como se milhares de fragmentos de gelo atingissem o seu peito.
Vitório acariciava o ventre da maldita, como se nele estivesse guardado o maior tesouro deste mundo.
A muda nojenta estava dormindo com o homem que pertencia a ela. E agora estava grávida dele.
- Querido... o que você quer dizer? – perguntou, se sentindo subitamente exposta e ameaçada.
Hans se virou de uma vez, e agarrou seu pescoço com uma só mão lançando o corpo de Astrid dolorosamente contra a parede e o mantendo ali, pressionado, suspenso. Sua força absurda a sufocava lentamente.
- Você tem sorte de ter algo que me entretém. – Ele a soltou quando viu que Astrid tinha o rosto completamente roxo.
Lutando pelo ar, ela caiu no chão sentindo cada fibra do seu pescoço esmagadas lutarem para tossir e abrir mais a passagem do fôlego. O que estava acontecendo? Como o homem que a idolatrava pode fazer isso? Por quê?!
Astrid sentiu os olhos molhados tentando se lubrificarem, aos poucos levantou a cabeça, em busca de algo no rosto de Hans que indicasse o motivo desse ataque violento. Mas o que encontrou em seus olhos foi aterrorizante, algo que nunca sentiu nem mesmo quando Fernando decidia “brincar” com aquelas putas ordinárias.
Ele levou a mão ao bolso interno do bolso e retirou algo. O conteúdo foi jogado no rosto dela, ferindo sua pele com a textura do papel fotográfico. Astrid encarou as fotos no chão, eram dela nas festas privadas que organizou e produziu no Rio de Janeiro.
Em meio a figuras importantes que queriam sua cabeça agora, ela se divertia seminua nas orgias em que as garotas eram oferecidas aos sócios no “Quarto Branco”.

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