Hans
Os anéis de fumaça o circundaram com familiaridade, formando uma bruma agradável em torno de seu busto, acomodado confortavelmente na cadeira de espaldar alta do escritório central da Strauss.
Dohler, o assistente que o acompanhava há vários anos, terminava um relatório verbal das últimas ações de sua tola esposa que agora se encontrava confinada na cobertura em que estavam morando.
O silêncio tomou o ambiente quando ele terminou, e abaixou os olhos respeitosamente.
- Como está Lucila Darius? – ele perguntou, por fim. – Disse que ela foi hospitalizada logo que a ameaça foi contida.
- Enviamos flores e vossa prestatividade à família, como o senhor instruiu previamente. Aparentemente a Sra. Darius foi liberada após alguns exames que atestaram seu bom estado de saúde.
- E a criança?
- Fisicamente bem, mentalmente assustado. O garoto a chama de mãe.
- É mesmo? – Hans ponderou. – Que interessante.
- Alguma nova instrução, senhor? - perguntou Doller.
- Onde está o idiota que a ajudou?
- O pegamos tentando fugir com várias joias com as quais ela o pagou. Está no subsolo do prédio, esperando sua decisão.
- Extermine todos os ratos que estiveram com ela. Não quero mais nenhum incidente.
- Como quiser, Sr. – Dohler respondeu, e aguardou pacientemente, com a cabeça curvada.
Com um aceno de mão, Hans o liberou.
Quando a solicitude o engolfou, ele tragou o charuto com gosto ativando o sistema de monitoramento do quarto onde Astrid estava. Ela andava de um lado para o outro, como um animal confinado.
Hans observou seu rosto bonito com certo prazer em vê-lo despido de qualquer maquiagem, qualquer artifício. As marcas ainda estavam lá, mas não se comparava ao estado de seu corpo na qual havia marcado toda a sua ira.
Aquela mulher certamente o tinha como um estupido. Foi bondoso demais achando que ela era um belíssimo diamante delicioso na cama. Mas no final, era só um pedaço de vidro imundo.
Astrid contratou assassinou profissionais para eliminar Lucila Darius. Ela não se importou com o filho no carro, e muito menos que o acidente provocado poderia resultar na morte do próprio Vitório. Seu plano era simples, e imperfeito, demonstrando abertamente o descontrole dela em relação aos recentes acontecimentos.
Hans observou a tela novamente.
Astrid vestia apenas um robe fino, ele sabia que não havia nada mais por baixo, pois assim ordenou. Não era um homem adepto a esse tipo de coisa, mas ela provocou algo incontrolável, foi ela com suas mentiras que se meteu com o homem errado.
Agora tudo o que via quando olhava para ela, era um corpo para satisfazer essa vontade primal de subjugá-la, e uma face que provava como foi enganado.
- Você se vendeu para mim... – ele disse olhando para a tela. – E eu posso acabar com a sua vida miserável quando eu quiser. Mesmo assim, você me desonra, com artimanhas secretas, me envergonhando abertamente.
Hans se sentou na beirada da mesa.
Tinha que ser mais firme? Talvez a única forma de fazê-la parar seria matá-la.
Mas se fizesse isso, perderia seu brinquedo.
Entretanto, não estava disposto a ser envergonhado novamente.
- O que eu vou fazer com você, querida?

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