Vitório
Quando Hans Andersen o convidou para uma reunião privada, ele não imaginava que seria um jantar na cobertura do CEO estrangeiro. Muito menos que veria aquela cena bizarra.
Vitório pousou os talheres, nauseado com a entrada de Astrid.
Hans divagou sobre vários assuntos relacionados aos negócios, muito amistoso e tranquilo, nada que o preparasse para isso.
Logo após o último prato ser servido, Hans tocou uma sineta sobre a mesa, uma ferramenta que lembrava muito os nobres de antigamente, que a usavam para chamar seus serviçais.
Sendo quem era, Vitório não estranhou a ação, afinal de contas, estava lidando com um homem que adorava a superioridade e o poder.
No entanto, quem adentrou a sala de jantar não foi uma simples empregada.
Inicialmente, sua mente se perdeu naquela imagem. A vadia que estava tentando destruir sua família, era essa mesma pessoa? A mulher que entrou, vestia um vestido negro que cobria todo o seu corpo, dos tornozelos até o punho, as camadas de tecido não evidenciavam sua figura, marcando somente a cintura, numa espécie de cinto que lembrava uma corrente dourada.
Astrid tinha os cabelos presos e seu rosto estava livre de qualquer maquiagem, mostrando várias marcas roxas e azuladas, e os lábios inchados e partidos. Vitório tinha que admitir que não esperava ver aquilo, mas sentiu uma grande satisfação em ver essa desgraçada dessa maneira.
Mas preferia não fazer parte desse espetáculo bizarro.
- O significa isso, Sr. Andersen? – ele perguntou, assim que o homem se levantou e puxou a cadeira para Astrid, que não dizia uma palavra, só olhava com uma estranha apelação para Vitório.
- Algo te incomoda, Sr. Darius? Talvez a presença da minha esposa?
- Essa reunião é uma piada, Andersen? – Vitório disse, se levantando.
Hans sorriu, quando ao seu olhar, Astrid pegou o garfo e começou a comer uma sopa estranha, com aspecto suspeito.
Vitório ficou nauseado com o cheiro asqueroso daquela substância, mas a puta demoníaca levava a colher na boca ferida sem parar, enquanto suas lágrimas se misturavam àquela coisa.
- Não se ofenda com a mera presença de Astrid. Eu sou um homem casado. É natural que minha mulher esteja presente nesse tipo de reunião. – Hans olhou para Vitório, com indulgência afiada. – A propósito, parabéns pelo bebê. Tenho certeza que a Sra. Darius é uma excelente mãe. Não acha, querida?



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