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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 156

Bettany

A organização dos horários dos funcionários e o cardápio semanal estavam prontos. A única pendência que restava era a contratação da nova serviçal que ficará responsável por servir a Sra. Andersen.

Beth olhou para a planilha de candidatas que foram rejeitadas. Todas com ótimas qualificações e recomendações, mas devido às peculiares exigências do senhor, eram inviáveis para serem contratadas.

Fechando o computador portátil, ela passou os olhos pela ante sala de jantar, as cozinheiras já haviam retirado a mesa do café da manhã, mas uma delas serviu uma bandeja de chá preto com alguns croissants recém saídos do forno.

Se servindo de chá, ela ignorou o pãozinho folhado.

- Vai ficar igual uma vassoura se continuar assim, Beth. – Dohler disse, adentrando o recinto e se sentando ao lado dela.

Levantando seus olhos para o braço direito de Hans, ela sentiu um frio incômodo na espinha, e novamente aquele aperto no peito.

- São só nove horas, não deveria estar trabalhando? – ela perguntou, com alguma esperança de que no fundo estivesse errada sobre o paradeiro do seu patrão.

- Ele está com a patroa. Hoje vai demorar, ela recusou a sopa do desjejum. – respondeu Dohler com um sorriso perverso.

- Eu não entendo como pode rir disso. Ela é um ser humano. – respondeu Beth, subitamente perdendo a vontade de beber o chá.

- Você é boa demais para entender o que aquela mulher lá em cima fez. – Dohler respondeu, pegando um croissant e passando manteiga vagarosamente. – Ainda não sei como ela está viva. Só pela desonra, eu mesmo a mataria.

- O que ela fez de tão terrível? – perguntou Beth, se sentindo culpada por de certa forma questionar a conduta de Hans. – Esqueça, eu não quero saber. Só quero que o Sr. Andersen fique a salvo dessa escuridão que se abateu sobre essa casa. Ele não é essa pessoa maligna que se dedica a... – ela olhou em volta, se certificando de que estavam sozinhos. - ...a machucar uma mulher. Sempre foi o oposto, um homem bom, honrado e muito respeitável.

- Acontece que aquela mulher trouxe à tona uma ira insana com as coisas que ela fez. – respondeu Dohler, sem revelar as particularidades do patrão. – E deve pagar por tudo. Que tipo de homem ele seria se não fizesse ela pagar?

- Um homem nobre, que não se entrega à própria ira. – Beth levantou, sentindo seus olhos arderem. Pensar em Hans com a senhora Astrid já era difícil, mas pensar no que ele estava fazendo com ela agora, era pior ainda.

Seu corpo tremia, e calafrios gelados a percorriam da cabeça aos pés.

- Até quando vai fingir, Beth? – Dohler interrompeu sua saída com aquela frase pesada e cheia de significados.

- Não sei do que está falando, Dohler. Vá procurar algo para fazer.

Ele se levantou, e soltou uma risada, se aproximando dela, a virou de frente.

- Eu te conheço desde pirralha, era o melhor amigo do seu pai. Sei bem o que se passa nessa sua cabecinha minúscula.

Beth tentou desviar os olhos, seu coração disparou em galope. Foi muito cuidadosa em esconder seus sentimentos, se mantendo a distância, em silêncio. Como Dohler descobriu? Ele contou a Hans?

O simples pensamento fez seus olhos saltarem em choque.

- Por favor... não conte nada. Eu não quero que ele me veja como uma mulher patética. – ela pediu, segurando a manga do homem que chamava de tio quando era criança.

- Por quem me toma, menina? – ele respondeu exasperado, tirando um lenço do bolso, e enxugando o rosto dela sem o menor jeito. – Não cabe a mim revelar algo assim. Mas você mesma devia pensar em contar a ele, ou se resignar a vê-lo chafurdar nesse chiqueiro em que aquela mulher o jogou.

- Não! – Beth respondeu rapidamente. – Não posso fazer isso. Sabe a minha posição nessa casa, eu nunca ousaria contar a ele que me atrevi a....

- Se atreveu a que Bettany? – o som profundo da voz de Hans a paralisou.

Não tinha o direito de amar um homem na posição de Hans. Ela não era ninguém.

- Ainda estamos conversando. Não haja como se não fosse nada. – Hans respondeu com suavidade. – Está magoada pelo que te forcei a fazer pela Astrid?

A menor menção daquele nome, Beth sentiu seu coração doer. Aquele nome a lembrava de que ela era a senhora desta casa, a esposa de Hans, a quem devia todo o respeito e consideração. Ela nunca macularia o casamento de ninguém, falando de sentimentos fantasiosos que nutria tolamente por Hans.

- Não se preocupe com isso, senhor. Este é o meu trabalho. – Beth rumou para a porta que levava ao corredor, com as coisas debaixo do braço. – Quanto a nova empregada, irei entrevistar duas novas candidatas essa tarde. Tenho certeza que uma delas atenderá aos requisitos.

- Bettany. – a chamou Hans se levantando. – Sabe a que me refiro, não pode simplesmente conversar comigo?

- Se sentir dor ou aumento de temperatura me avise para que eu chame o seu médico imediatamente. Com licença, senhor.

- Beth! – ele chamou firme.

Ela estacou, de costas.

- Esqueça por um momento que sou o seu empregador. – ele pediu caminhando até ela. - Converse comigo, como fazia quando era só uma menina de tranças. Você falava sobre tudo.

- Eu não sou mais uma menina! – ela disse num tom entrecortado por seu choro. – Só você não percebe isso!

Antes que ele pudesse reagir, Beth correu para fora, o som de seus saltos batendo na madeira eram semelhantes as batidas de seu coração tortuoso.

Era uma tola por amar um homem que nunca a veria como uma mulher.

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