Hans
Alguns dias se passaram depois do ilustre jantar com Darius, desde então, tinha feito Astrid se arrepender até a alma do maldito momento em que decidiu usá-lo em seus planos sórdidos.
Entretanto, as punições estavam prejudicando sua própria sanidade. Nada do que fazia com ela, tornava a mulher consciente de sua própria realidade. Astrid passou a gritar ou gemer, em delírios alucinados de que estava com Vitório, vivendo uma vida perfeita cheia de luxos e de cuidados constantes daquele homem.
E quanto mais ela fugia da realidade, mais Hans a castigava e a odiava por fazê-lo descer tão baixo dessa forma.
Todas as vezes que saia daquele quarto, sentia uma necessidade extrema de se lavar até sua pele arder. Entrar naquela mulher imunda fazia Hans se sentir sujo sem princípios, era degradante.
Mas não conseguia se livrar da vontade de ferí-la com aquilo que ela tanto gostava. Sexo.
A libertinagem de Astrid era a mácula.
Uma mácula que ele tinha que punir, até se expiar completamente.
No entanto, não sabia quanto tempo levaria para que sua essência fosse consumida por esse pântano imundo em que sua nova esposa o lançou. Se perder nesse abismo seria fácil, afinal não era só asco que sentia ao submeter Astrid ao sexo brutal. Também havia o prazer de vê-la gritar, sufocar, implorar e se perder em seus delírios até desmaiar.
Não sabia dizer que tipo de prazer insano e perverso era esse, mas com certeza era algo perigoso, que pouco a pouco estava devorando parte dele.
Uma batida na porta de seu escritório o chamou de sua divagação.
Hans olhou para a tela do computador, que mostrava o circuito interno do quarto de Astrid. Ela falava sozinha, e ria feito uma louca, enquanto seus membros permaneciam amarrados nos pilares de ferro da cama. Totalmente nua, seu corpo marcado e pálido reluzia de suor. O ar condicionado foi desligado por ordens dele.
Ela não merecia nenhum conforto.
Fechando a tela da vigilância, ele disse:
- Entre.
Dohler colocou parte da face no pequeno vão que abriu, e o olhou respeitosamente.
- Desculpe por interromper senhor, mas a Srta. Clintwood insiste em vê-lo.
Bettany, aquela garota que corria por sua propriedade fazendo as tranças brilhantes de seus cabelos esvoaçarem; se tornou uma excelente governanta. Quando ela solicitou uma audiência para falar a respeito de seus cuidados com Astrid, ele negou. Agora surpreendentemente, Bettany insistia em falar com ele, e isso intrigou.
- Mande-a entrar. – respondeu.
- Sim, senhor. – respondeu Dohler.
A porta foi aberta, e instantes depois, a figura silenciosa e compostura perfeita adentrou o escritório.
Vestida com seu habitual terninho negro, ela aguardou silenciosamente com as mãos entrelaçadas a frente do corpo. Parecia incomodada, e a ausência da serenidade costumeira preocupou Hans.
- Como está, Beth? Parece preocupada. – ele disse, tirando os óculos, e os deixando sobre a mesa.
A tela refletia seus cabelos em maioria brancos, um contraste gritante com o frescor e jovialidade de Bettany.
- Me perdoe por incomodá-lo tão insistentemente, Sr. Andersen. – ela começou, com sua voz feminina e melodiosa.
A cena que Astrid fez com ela ainda o irritava demais. Esperava que sua governanta não se metesse nesse assunto sórdido.
Se levantou devagar e caminhou até ela, segurando suas mãos cálidas e pequenas entre as suas. Eram tão suaves e macias, um cheiro de íris e jasmim inundou suas narinas.
Hans olhou em seus olhos, e se surpreendeu ao vê-la desviar o lindo olhar amendoado, fazendo um sutil rubor surgir em sua face perolada. Ela estava com vergonha? Mas por que? Sempre a considerou mais que uma serviçal, para ele Beth também era família.
- Eu sinto muito por fazê-la ver aquilo. Mas acredite, ela merece cada provação.
Bettany deixou suas mão caírem lentamente, e disse num tom baixo e pesaroso.
- Não sou ninguém para julgar os seus atos, senhor. Mas só peço que não se perca ao punir o mal com o mal. O homem que eu sempre admirei em segredo, não abriria mão de si mesmo por nada nesse mundo.
As palavras firmes e tão inesperadas, causaram um desconforto e uma surpreendente tempestade em seu interior, entretanto, ela já caminhava para a porta suavemente.
- Irei designar alguém de minha confiança para se encarregar da senhora.
- Não. – Hans respondeu irritado.
O que foi isso? Por que ela falava em enigmas? Ofendido com aquela simples frase, e criando mil possibilidades do significado daquilo, ele pensou em algo ainda pior para Astrid. Afinal, isso era culpa dela também. Se não fosse por ela, Beth não estaria vendo a ele como um monstro frio desumano.
- Como, senhor? – ela perguntou, se voltando surpresa.
- Não quero desperdiçar o tempo de nossos funcionários, e nem dar a ela a oportunidade de enganar alguém para fugir. – fez uma pausa, a estudando. – Quero uma nova servente, alguém que não tenha a menor noção do que está fazendo, e que assine um contrato de sigilo antes de começar. Nada de referências. Pessoas com boas referências trataram Astrid bem. Pague um salário atraente.
Beth o olhou com uma expressão triste que se aprofundava em seus olhos, mas não relutou, acatando a ordem prontamente.
- Como quiser, Sr. Andersen.

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