Lucy acompanhou o olhar dele, e prontamente gesticulou em resposta.
“Sim, é claro. Muito obrigado pelo gesto gentil. – ela sorriu. – Só cheguei agora, e estou atolada na papelada. Me desculpe.”
- Sem problemas. Você quer ajuda com alguma coisa? – ele propôs, adentrando a sala dela. – Posso te ajudar entre as sessões, e assim ganhamos tempo para a visita ao parque.
“É muita consideração, mas preciso recusar. São documentos que requerem a minha atenção. – Lucy ponderou sobre a outra questão. – Quanto ao projeto, acho que podemos adiantar a visita. Hoje a noite está bem para você?”
Se protelasse demais a visita, atrasaria todo o cronograma criado por Eric pensando nas crianças mais inacessíveis psicologicamente. Além disso, quanto mais se adiantasse a gravidez, menos poderia participar dessa incursão cheia de brinquedos movidos a adrenalina.
- Ótimo. Vou pegar a Mari no colégio às cinco. Nos encontramos lá?
“Sim, pode ser. O Olavo sai no mesmo horário, eu irei buscá-lo e depois nos encontraremos na entrada do parque.”
- Perfeito. Te vejo mais tarde então. – ele sorriu, com uma piscadela marota. – Se mudar de ideia sobre a ajuda, estou no centro recreativo, temos uma peça de teatro com o grupo C hoje.
“Certo. – ela sorriu. – Obrigada, e bom trabalho.”
A porta se fechou atrás dele, e Lucy caminhou até sua cadeira e se deixou cair, subitamente se sentindo exausta. A gravidez se tornou uma montanha russa, era impressionante como estava bem em momento, e no minuto seguinte ficava esgotada.
Bem, havia também as situações que ampliavam suas preocupações. Como a volta de Astrid e a terapia do trauma causado pelo passado com seu irmão. Mas um desses problemas parecia resolvido sem que tivesse que levar em frente seus planos de fingir se afastar de Vitório.
Pelo que ele contou sobre o jantar na casa de Andersen, Astrid estava vivendo em cárcere privado desde que o marido descobriu que foi usado por ela para se vingar dos Darius.
Mas isso não trouxe o mesmo alívio que Vitório parecia sentir. Havia algo que a incomodava em seu âmago.
Aquela mulher foi astuta e ardilosa a vida toda. Ela enganou uma família inteira, fez Ícaro se casar com ela rapidamente, e Vitório engravidá-la mesmo desejando matá-la.
Lucy soltou um suspiro cansado.
Ele queria lhe contar a verdade sobre como Olavo foi concebido, sempre que tocavam no assunto, Vitório não conseguia esconder como aquela situação o machucou profundamente. Isso era muito difícil de aceitar, pois ele que era uma rocha inquebrável, fora ferido irreversivelmente por aquela mulher, portanto, Lucy temia saber o que houve.
O medo de não saber lidar com o desconhecido a sufocava.
Acariciando seu ventre, ela pensou em Olavo e nas partidas de futebol de pai e filho na quadra de casa. Ainda não tinha contado ao menino que a mãe voltou, e nem sabiam a verdade sobre a paternidade dele.
O andamento dos papeis da guarda de Olavo estava praticamente finalizado, e tudo estava indo bem sem a interferência da progenitora ou de Hans Andersen.
Lucila olhou para o porta retratos novo em moldura de prata. Uma fotografia tirada a poucos dias, ela e seus meninos exibindo um sorriso feliz.
Tinha como adiar mais essas conversas? Ela queria, mas sentia dentro de si que o tempo tinha acabado, e que antes que Astrid se movesse de novo, tinha que saber como ela engravidou de seu marido. E Olavo, tinha que saber que era amado e querido por seu verdadeiro pai, e que ele sabia o quis assim que soube de sua existência.
Devagar, Lucy abriu o chat de conversa pelo aplicativo interno dos Darius. Chamando Vitório, ela o avisou sobre a visita ao parque com Olavo, e que Eric e sua filha estariam com ela. Enquanto ele respondia, ela digitou rapidamente. “Depois do jantar, quero conversar sobre aquele assunto.”
A digitação foi interrompida.
- O que eu faço Lucy? Vai recebê-la?
“Peça para ela entrar, e a avise que me comunico em libras. Não quero deixá-la constrangida quando usar o celular para falar.”
- Tudo bem. Mas eu acho que ela já sabe.
“Como assim?” Perguntou surpresa pela segunda vez.
- Ela trouxe um tablet esquisito, disse que a comunicação não seria problema. O negócio lê seus movimentos e traduz para ela.
Lucy só acenou com a cabeça, desconcertada. A mulher pensou em tudo antes dessa visita. Deve ser importante.
Quando Bettany Clintwood passou pela porta, instintivamente Lucy sentiu seu coração inchar, um sentimento estranho de carinho surgiu instintivamente.
Bettany sorriu, e estendeu a mão, ela tinha um jeito doce amável. Lucy apertou sua mão, retribuindo o sorriso, como se já se conhecessem há muito tempo.
- Muito prazer em conhecê-la Sra. Darius. E muito obrigada por ceder o seu tempo para mim tão inesperadamente.
A voz dela era melodiosa, e fez Lucy pensar em como ficaria se ela cantasse uma de suas sonatas favoritas.
Por que se sentia tão atingida por esse afeto estranho por essa moça?

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