Lucy
POV
O calor do corpo dele me envolvia por inteiro, dissipando qualquer medo, qualquer resquício do frio que por tanto tempo me dominou incessantemente.
A respiração pesada de alguém que estava exausto, por inúmeros motivos, sopravam o topo da minha cabeça, abrigada em seu peito. Olhei para baixo, nossos corpos nus ainda encaixados um contra o outro.
As mãos enormes estavam enfaixadas, ele fraturou cinco ossos e rompeu dois ligamentos.
Meus olhos transbordaram imediatamente, acariciei com cuidado aquelas mãos que se tornaram uma espada vingadora imparável, elas me envolviam com tanto carinho e amor... Como pude teme-las?
Fechei os olhos com força, ao me lembrar daquele momento em que achei que não conhecia Vitório, o meu amor, o homem a quem eu me entreguei de corpo e alma.
O ataque foi tão repentino e violento que me esqueci do desconforto pavoroso do toque de Eric DelaVille no meu ombro.
Eu supliquei que ele parasse, as pessoas gritavam em volta que era uma tentativa de assassinato a sangue frio, a montanha russa parou e eu não sabia como impedir as crianças de ver aquela cena.
Vitório não podia ver os meus gestos. Minha linguagem se tornou inútil, e não me deixavam se aproximar dele. Vários homens tentaram pará-lo, mas foram arremessados para longe, e então chamaram a polícia, quando sentiram a ira e a força absurda de um homem dominado pela raiva.
Corri para evitar que Olavo e Mariane vissem o que estava acontecendo, os levei para longe, mas o meu filho sabia que algo estava acontecendo, ele viu a movimentação estranha, e o acúmulo de pessoas perto no embarque do brinquedo.
Ele queria saber o que houve, por que a polícia estava entrando no parque, por que tinha ambulâncias chegando. Tudo o que consegui dizer, foi que alguém tinha se machucado muito. Olavo tentou se soltar de meus braços, ele sabia que a situação envolvia o pai, eu não consegui segurá-lo.
Mas quando pensei que o pior aconteceria, fui salva pela presença de Alberto e Samanta. Eles conduziram a situação com as crianças com uma calma absurda. Sam levou os dois para fora do parque, os colocando no carro.
Alberto tentou me deter, eu queria voltar, não podia deixar que meu marido matasse um homem que julgava ser inocente. Na minha cabeça, o único erro de Eric, foi ter ultrapassado os limites, ele não deveria ter agido como um conquistador barato.
Não queria enfrentar tudo e todos sem saber de nada. Porque é o que eu faria, em qualquer situação, mesmo que ele estivesse errado, como eu acreditei a princípio.
Sam se aproximou de mim, e olhou para todos, e com uma única frase ela os fez abrir a boca.
Flashback On.
- Eu não acredito que pretendem mantê-la no escuro até ele voltar! – ela ralhou, olhando para Alberto e depois para Ticiano. – Vocês não sabem quanto tempo isso vai levar, o Ícaro nem mesmo deu notícias ainda. A imprensa está em êxtase com esse circo, pelo amor de Deus, ela tem o direito de saber!
- Samanta.. – Alberto começou, num tom sério de advertência.
- Não vem com essa, Beto. – ela continuou, se sentando ao meu lado, e apertando a minha mão como se me desse a coragem que tinha para enfrentar as coisas. – Vocês Darius são uns babacas. Ícaro escondeu um monte de coisas da Mel por acreditar que ela precisava ser “protegida” da verdade. – ela enfatizou. – Você fez o mesmo comigo, escondeu até mesmo o meu câncer, pensando que eu era frágil demais para lidar com a notícia. – Sam se levantou de uma vez, apontando para mim. – Olhe para ela, caralho. Ela não é uma criança, ela é forte, ela é capaz. Lucila assumiu a maternidade do Olavo, ela transformou a vida de inúmeras crianças com deficiência. E não se esqueçam que foi ela, e não vocês, quem resgatou o Vitório do inferno em que aquela vadia maldita o lançou! – ela puxou o ar com força. – Então conte logo para ela, ou eu mesma farei isso.

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