Lucy
O sono a abandonou no meio da noite.
De pé, encostada na porta do terraço, Lucy contemplava a noite, com a cabeça fervilhando em pensamentos. Ela não queria demonstrar o quanto estava afetada pelo que Bettany disse, nem mesmo admitir que aquilo aconteceu.
Por outro lado, se sentia culpada. Pela forma com que tratou a moça, que só trouxe bons sentimentos ao conhecê-la.
Beth parecia ansiosa e realmente eufórica com a possibilidade de serem irmãs, e não tinha como ela saber que se isso fosse verdade, Lucila poderia ter tido outro caminho. Poderia ter tido um pai biológico que a livraria da negligência da mãe que a deixou sozinha para se prostituir e usar drogas. E possivelmente nunca teria conhecido Felipe.
Quando Beth mostrou a foto de Christian Clintwood, foi como se o seu sangue congelasse nas veias. Ela soube que não era uma história mirabolante. Realmente eram iguais, e isso trouxe uma avalanche de sentimentos contraditórios.
E também perguntas. Muitas perguntas.
Sobre o homem que era seu progenitor, sobre os motivos que o levaram a ficar com alguém como Juliana, sua progenitora.
Ele sabia de sua existência?
Se sabia, por que a abandonou com aquela mulher?
Lucy suspirou.
Seu amor por Vitório, por seus filhos, a fizeram resistir aquela tempestade, que resgataram inúmeras lembranças bloqueadas de sua infância. Sabia que o homem da sua vida não ficaria parado diante daquela história, ele já devia ter mandado averiguar cada detalhe, e pela forma com que a olhou ao chegar, certamente já tinha uma resposta.
Ela o conhecia bem. Seu lindo ogro, a protegeria de tudo e de todos, e seus olhos o denunciavam, eles tinham aquela preocupação profunda, que sempre fazia Lucila se perguntar quando Vitório deixaria de poupá-la da verdade.
Como se os seus pensamentos o convocasse, ela sentiu seu abraço forte a envolvê-la pelas costas, silenciosamente.
Se encostando contra seu corpo forte e quente, Lucy puxou o ar profundamente.
- Pode me contar o que descobriu. – Ela disse serena. – Sabe de alguma coisa sobre a história que Beth contou, e não quer me dizer para me poupar.
- Está ficando boa em ler mentes. – Ele brincou, beijando o pescoço feminino com carinho. – Só não queria te deixar naquele estado de novo.
- Reagi mal ao que ela disse, porque pensei imediatamente em como minha infância seria, se aquilo fosse verdade. – Lucy esticou os braços, abraçando, seus dedos tocando os fios macios dos cabelos dele.
Vitório deslizou as mãos até o ventre arredondado de Lucy.

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