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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 181

O riso de Sam preencheu o interior do carro.

A caminho do prédio onde Hans Andersen possuía uma cobertura digna de um rei, elas estavam conversando, e como sempre, sua amiga notou as marcas remanescentes da noite de amor selvagem.

- Lucy, você e o cunhado precisam dar um tempo, ou esse bebê vai nascer na companhia de outro.

- Não fale assim... – Lucy dirigia nervosamente pelas ruas apinhadas de São Paulo. Um carro a seguia à distância, e ela imaginou que fosse a elite de segurança especializada que Vitório contratou. – Pensei que logo iria desaparecer, mas ainda estão visíveis em algumas partes.

- Ah, não seja tão tímida. Quando o Beto e eu nos casamos, eu estava grávida da Octávia, ficamos quase uma semana sem ver a cara de ninguém, só fazendo amor, comendo e dormindo. Meu pai veio me visitar logo depois, e me perguntou porque tinha marcas por toda parte, eu disse a verdade.

- Que era?

- Estamos em lua de mel, oras.

Lucy riu da desenvoltura de Sam. Nunca seria capaz de tamanha tranquilidade, principalmente se fossem seus pais quem a vissem toda marcada pela forma intensa com que ela e seu marido faziam amor.

Seus pais...

Precisavam conversar, mas seria capaz de se abrir com eles, falar sobre DelaVille e Felipe? Eles esperavam por respostas, estavam apreensivos, e tentavam uma visita há quase uma semana. Se aquele ogro não tivesse contado a eles o que houve, ela não teria que enfrentar Hermes e Amanda agora.

Mas de certo modo, Vitório estava a empurrando na direção que seu terapeuta sempre mostrou. O enfrentamento do trauma.

Lucy já havia passado pela fase da aceitação, e da compreensão de que não tinha culpa pelo que houve. Felipe fez tudo aquilo, e não importava de que maneira ela se portasse com ele, certamente ele faria tudo de novo.

Entretanto o segredo que guardava no profundo de seu ser, o motivo de ficar em silêncio por todos esses anos. A morte de Felipe pesava sobre seus ombros, e disso, ninguém poderia livrá-la.

- Nossa, você ficou pálida de repente. Está se sentindo mal, querida? – Sam perguntou, alheia ao rumo de seus pensamentos.

- Não se preocupe. Estou bem, só fiquei repentinamente nervosa com a possibilidade de Beth não me receber. Ela tem todo o direito, depois de como a tratei.

- Isso não vai acontecer. Pelo que me disse, ela também está ansiosa para descobrir a verdade e foi ela quem percebeu essa possibilidade primeiro.

- Tomara que esteja certa. – Lucy respondeu, afugentando seus pensamentos tenebrosos.

- Esse lugar está me dando calafrios, Lucy. – Sam disse, se sentando mais próximo da cunhada.

- É estranho... – comentou baixinho. – Vitório nunca disse nada sobre isso, ele esteve aqui em um jantar...

Passos leves se aproximavam, e elas ficaram em silêncio. A figura pequena e encolhida adentrou a sala de estar. Lucy se levantou imediatamente quando viu Beth, e cruzou a distância entre elas, preocupada e chocada com sua aparência.

Pálida, com os lábios ressecados, Beth tentou um sorriso apagado. Ela vestia uma calça de alfaiataria preta e uma blusa de gola rolê da mesma cor. Havia perdido peso, e seus olhos estavam vermelhos.

Lucy a abraçou forte. Seu peito se apertou ao vê-la assim. Foi ela quem causou tudo isso aquela moça tão doce e sensível.

- Me perdoe, Beth. Eu estava errada... – Lucy começou, podia sentir o corpo dela estremecer em seus braços. – Eu ficarei imensamente feliz, se você for minha irmã.

Os soluços de Beth quebraram a alma de Lucy. Ela só a apertou forte, a acariciando suavemente, como se consolasse uma criança. Sentia a tristeza e a dor dela, de uma forma tão intensa que era como se fosse a sua própria.

- O que houve com você, querida…

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