Lucy
A pele sob seu toque estava cálida e agradável, ela deslizou suas palmas pela extensão definida das costas de Vitório. O dia já tinha amanhecido, ele tinha levado o café da manhã na cama, e depois de comerem, fizeram amor lento e apaixonadamente.
Agora, depois do banho silencioso cheio de uma cumplicidade perpétua, eles estavam juntos na cama, desfrutando de um momento a dois. Vitório adorava que ela acarinhasse seus cabelos, ele chegava a adormecer, relaxado.
Um sorriso doce se formou em seus lábios.
Vitório é muito mais do que o rapaz que a ouvia tocar, e que compartilhava aqueles momentos fugazes com a Lucila adolescente, ele era o amor que curou seu coração, e que a resgatou da solidão invernal que se tornou sua vida.
Ele tem um sorriso lindo e charmoso, mas também sabia esconder bem esse fato, ostentando uma rigidez e uma austeridade que impunha medo e respeito.
Mas com ela....
Vitório era assim, ela olhou para ele, cochilando em seu colo com uma expressão serena e satisfeita; ele se despia de todas as máscaras, de todas as armaduras e abria seu coração de forma emocionante. Não havia ninguém no mundo para qual ele pudesse ser quem era de verdade, e Lucy se sentia a mulher mais sortuda do mundo.
O compreendia em todos os aspectos agora. Vitório nunca a abandonou no passado, sua ausência e distância, era uma forma mais consistente de cuidado e proteção. Ele sabia do que Astrid era capaz, ele sabia da monstruosidade que se escondia por baixo da fachada de mulher da alta classe.
A vadia quase o matou e o drogou com algo tão pesado que poderia tê-lo transformado em um incapaz mentalmente, somente porque Vitório não voltou atrás quanto a se casar com Lucy. Portanto, o que mais ela faria se os visse juntos, se aproximando cada vez mais?
Certamente Astrid não ficaria de braços cruzados.
- O que houve? – ele perguntou, a trazendo de volta para o presente.
- Nada, amor. Está tudo bem. – ela disse, afundando a mão em seus cabelos.
Vitório se moveu, em uma posição em que poderia ficar com os ouvidos colados na barriga redondinha de Lucy. Ela sorriu, o observando.
- Alguém aqui dentro deve estar com fome de novo, está uma verdadeira maratona. – ele comentou, rindo.
- Da última vez que estivemos na sala de ultrassom, esse bebê praticamente jogou futebol aqui dentro. Parece que hoje não será diferente. Espero que a doutora não se espante muito.
- Não acho que ele ou ela vai se importar com o espanto de ninguém. – ele satirizou, colocando a palma enorme no ventre de Lucila.
- Se for como o pai, já vai nascer com um espírito indômito.
Ambos riram, se preparando para o momento emocionante que aconteceria logo mais. Lucy tinha consulta e exame de ultrassom logo à tarde.
Uma batida leve na porta os interrompeu, e a voz infantil e jovial de Olavo se fez ouvir.
- Mamãe, papai, posso entrar?
- É claro que pode, querido. – Lucy respondeu, se ajeitando na cama, enquanto Vitório, se levantava para se encontrar com o filho.
Olavo adentrou a suíte com aquela expressão reticente no rosto, que ela tinha visto tantas vezes. Sempre que Lucila estava com Vitório nos aposentos do casal, o menino parecia evitar se juntar a eles, e quando fazia, ele tinha aquela ponta de reserva, como se esperasse que eles o mandassem embora.
Com certeza ele foi traumatizado no passado com alguma situação semelhante, em que a progenitora o puniu por entrar no quarto em que ela estava na companhia de alguém.
Vitório o abraçou forte, beijando seu rostinho pequeno, o levantando em seus braços e lhe fazendo cócegas.
- Bom dia, campeão.

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