Lucy
Na sala de preparo do hospital, ela aguardava cheia de expectativa, depois de ser acomodada na cama pela enfermeira. A porta do quarto se abriu e Lucy foi levada para o centro de imagens de ultrassom.
Lá dentro, Vitório e Olavo já esperavam por ela, ambos sorriram quando Lucila foi colocada ao lado da maquina enorme. Lucy estendeu a mão e segurou a de seu filho e seu marido envolveu a de ambos na dele.
O coração de Lucy batia tão rápido que parecia acompanhar o ritmo das batidas minúsculas que ela ansiava por ouvir. O ar no centro de imagens parecia mais denso, vibrando com a expectativa que a consumia por dentro. Cada segundo antes de o médico posicionar o transdutor sobre sua barriga era uma eternidade, e ao mesmo tempo, um milagre prestes a se revelar.
Ela sentia o calor da mão de Vitório envolvendo a sua e o toque pequeno e confiante de Olavo, e aquilo a fez sorrir com lágrimas ardendo nos olhos. Dentro dela, havia uma vida, seu bebê, metade dela, metade do homem que amava.
O amor que sentia por aquela pequena existência era tão intenso que parecia transbordar pelos poros, um amor silencioso, absoluto, que não precisava de palavras. Lucy estava prestes a ver o rostinho que habitava seus sonhos e a confirmar, de uma vez por todas, que o milagre que pulsava dentro de si era real.
- Estão prontos para ver esse bebê? – a médica perguntou, muito gentil e simpática.
- Muito prontos! – Olavo respondeu por todos.
Rindo, eles observaram a profissional besuntar a barriga redonda de Lucy, com gel. O aparelho foi colocado e logo a imagem incrível surgiu na tela.
Vitório fixou os olhos no monitor, fascinado. Olavo analisava tudo, entre o curioso e o maravilhado. Emocionada, Lucy viu os pezinhos, as mãozinhas, o corpinho e a cabecinha de seu bebê se moverem sem parar.
- Ele é mais agitado que eu, mamãe. – Olavo disse.
Lucy riu cúmplice para Vitório, seu filho era muito perspicaz e esperto, seria um ótimo irmão mais velho.
A médica começou a mover o aparelho em ângulos bem inusitados, às vezes, manchas disformes surgiam na tela, e ela de repente ficou calada. Vitório olhou para a médica notando que ela não detalhou nada sobre a saúde do bebê e seu olhar já se tornou profundo.
Angustiada, Lucy perguntou.
- Algo errado, doutora?
- Isso não é possível... – a médica disse baixinho, como se falasse consigo mesma.
- O que não é possível?! – Vitório perguntou com sua voz grave, fazendo a médica se assustar, e quase perder os óculos frouxos no rosto fino. – Diga de uma vez, o que há de errado?
- Me desculpem... isso é muito... – ela pediu licença, dizendo. – Preciso de uma segundo opinião, é protocolo para casos assim. Só um momento, por favor.
- Mas, nos diga o que houve, doutora... – pediu Lucy, em angústia.

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