Vitório
O desmaio de Lucila foi apontado como uma reação emocional natural à notícia que ela recebeu. Os médicos disseram que ela acordaria em alguns minutos, e enquanto uma enfermeira especializada a assistia, ele foi conduzido a uma sala de conferências, para que explicassem do que diabos estavam falando.
Olavo se sentou ao lado de Vitório e não parava de sorrir, apesar de estar compenetrado no que os médicos falavam.
- Imagino que esteja chocado e preocupado, Sr. Darius. – Começou a Dra. Ribas. – E isso é perfeitamente compreensível. Em anos de obstetrícia, esse é o primeiro caso de superfetação com o qual me deparo. É um fenômeno do corpo humano realmente muito raro.
- E que diabos isso quer dizer? – Vitório perguntou exasperado. – Lá dentro, me deram a impressão de que eu engravidei a minha mulher já grávida!
- De uma forma simplificada, foi o que aconteceu. – O tal Dr. Servidone disse, com um risinho paternalista. – A superfetação acontece quando uma segunda gravidez ocorre durante uma gestação já existente, resultando em fetos em estágios de desenvolvimento diferentes. Inicialmente, pode-se visualizar apenas um embrião porque o outro ainda não está suficientemente desenvolvido para ser detectado por exames de imagem, como um ultrassom. Foi o que houve com a Sra. Darius.
- A alta fertilidade de sua esposa contribuiu para esse fenômeno. – O Dr. Ribeiro falou, com um brilho fascinado nos olhos, deixando Vitório incomodado. - Acontecem duas ovulações num período de tempo próximo, e a mulher tem relações sexuais com muita frequência, e fertilizam os dois óvulos.
A imagem de sua coelhinha bandida surgiu em sua mente, imediatamente. Vitório não pode evitar o riso que escapou. “Era impossível ter aquela coelha só uma vez. E além disso, ela me provocou, a bandidinha safada.”
- Você está sorrindo porque está feliz com mais um bebê, não é, papai? – Olavo perguntou, com aquele rostinho inocente.
- É isso mesmo, carinha. – ele respondeu, nada culpado.
Eles teriam dois bebês. Por mais que isso fosse uma enorme surpresa, era também uma dádiva. A felicidade que tomava seu peito, inflava seu coração. O orgulho de ser o pai daqueles bebês, de ser o homem que Lucy amava e confiava para esse momento tão especial.
- Os bebês têm idades gestacionais diferentes, portanto precisamos elaborar um plano de parto com a nossa equipe para o momento da cesariana. – A Dra. Ribas falou, virando o monitor, para mostrar o vídeo do exame. – O primeiro bebê inicialmente seria retirado com trinta e sete semanas, devido a formação óssea da Lucila. No entanto, isso não será possível nessa situação, pois o segundo bebê precisa de mais tempo no útero para se desenvolver e sobreviver fora do saco embrionário.
- Mas isso significa que tanto a minha esposa, quanto o primeiro bebê estarão em risco, não? – Vitório perguntou, ficando preocupada. – Você disse nas últimas consultas, que devido a formação óssea, a cabeça do bebê pode ficar presa, por isso a cirurgia era necessária. Agora vem me dizer que vão esperar ainda mais tempo?! – Vitório os encarou seriamente. – Quero algo bem mais concreto do que isso.
- O segundo bebê está se desenvolvendo bem, Sr. Darius. Se continuar assim, não será necessário esperar muito. Nós temos a equipe mais preparada para lidar com esse caso, e as possibilidades de risco se enquadram somente na condição da anatomia da Sra. Darius. – O Dr. Servidone disse, bem mais confiante do que Vitório esperava. – Esse é o segundo caso que assumo com superfetação, e só pelo fato dos bebês compartilharem o mesmo DNA paterno, já diminui muito as possibilidades de problemas na gestação.
- Estão dizendo que está tudo bem, e que meus filhos estão crescendo bem. No entanto, a minha esposa é pequena e delicada. Que garantias podem nos dar, de que ela não vai sofrer com esse novo planejamento do parto?
- Na verdade, nenhum parto tem garantias, Vitório. – A Dra. Ribas interveio. Ela era mais próxima deles, e portanto tinha mais liberdade para falar. Ribas acompanhava Lucila desde os exames pré-nupciais e até deu palestras para os pais de adolescentes do Instituto. – O que queremos agora, é garantir que Lucila continue bem, e que os bebês se desenvolvam saudáveis. O plano de parto será definido conforme as necessidades do caso se adiantarem, mas em uma situação de urgência, faremos o melhor para garantir que eles fiquem a salvo. Sua esposa e seus filhos estão em ótimas mãos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO