A expressão dele mudou subitamente. Irritação, fúria, revolta dura e fria, contida.
— Pare com isso já! Não seja tão impulsiva, Lucila. Você quase se machucou! Pense nessa criança em seu ventre.
Ela digitou com pressa, os dedos trêmulos, enquanto se afastava novamente, mesmo com a insistência dele em segurá-la. "Não me toca! Eu nunca mais vou permitir que me toque! Você não tem mais esse direito." Os grunhidos sufocantes escapando de sua garganta dolorida.
Ergueu o celular com mais uma mensagem, sua expressão devastada, os lábios trêmulos, olhos marejados. Se estranha simulando uma mulher tão miserável, porque ela sentia o amor de Vitório mesmo agora que ele parecia tão frio e arrogante.
"Eu já sei de tudo! Essa mulher é a mãe do Olavo. Você dormia com outra enquanto se negava a dividir o quarto comigo, inclusive a mesma cama. Me rejeitava para dar para sua amante tudo o que deveria ser da sua esposa. Eu te dei tudo, todo o meu amor, Vitório! E você jogou isso no lixo como se não fosse nada. Não sei como me deixei enganar, permitindo que me tocasse. Você me enoja!!"
O celular escorregou de seus dedos, quando suas mãos pequenas perderam completamente a firmeza, caindo no chão com um baque. Lucila abraçou o próprio corpo, soluçando, o frio cravando em sua espinha desde sua infância serviu de combustível para parecer ainda mais desesperada. As pernas perderam a estabilidade. Vitório se abaixou e pegou o aparelho, tocando sutilmente seu tornozelo.
Lucy sabia que esse era um gesto que dizia o quanto ele estava orgulhoso dela. Ele leu as mensagens em silêncio total. Um instante suspenso no tempo, para dramatizar ainda mais aquela situação.
Ao se levantar, ele largou o celular sobre a mesa e segurou os ombros dela, ignorando seus protestos enfraquecidos por sua vulnerabilidade simulada. A mão enorme alcançou o rosto dela, seus dedos quentes esfregando seu rosto com movimentos ásperos. “Bruto!” ela pensou, com certo calor a percorrendo.
— Lucila, pare. Pare de chorar! Você precisa se acalmar e me ouvir, porque não importa o que você pensa que sabe. Nada vai mudar o fato de que você é a minha esposa.
Ela esmurrava o peito dele sem força, tentando se afastar, mas ele não se movia nenhum centímetro. As lágrimas se tornando um mar fluido, interminável, cristalino e transparente. Mas por dentro, Lucy sentia seus hormônios a perturbar, desejando mais dos toques do seu marido troglodita.
“Se concentra, Lucila!” Ela se recriminou e pegou o celular outra vez e escreveu. "Não, eu não sou. Não há mais nada entre nós. Nenhuma relação de MENTIRA vai apagar o que você fez! Agora que eu sei de tudo, Vitório, eu só consigo sentir uma coisa por você. Desprezo!"
Vitório leu, rapidamente. Seu rosto ficou mais austero, os traços tensos, as sobrancelhas se unindo em um só franzido profundo. Ele segurou o rosto dela com ambas as mãos, obrigando-a a olhá-lo nos olhos.
— Escuta bem o que eu vou te dizer, Lucila. — A voz dele era uma promessa e uma maldição ao mesmo tempo. — Você nunca, NUNCA vai se separar de mim. É uma Darius, carrega o meu sobrenome, e você quer queira ou não, é a minha mulher! Mesmo que pense que tem o direito de se separar, você é minha. Só MINHA, entendeu? – ele a apertou firme, unindo as grossas sobrancelhas. – É mulher que está gestando um filho meu, e não vou permitir que outro crie o meu filho, como foi com Olavo!
Lucila fechou os olhos com força, as lágrimas escorrendo sem parar. O coração dela gritava, louco para mandar tudo aos ares e beijar Vitório, saciando seus anseios. Mas ela continuou atuando, como se as palavras dele a diminuíssem ao extremo.
Sem que esperasse, a boca de Vitório cobriu a dela.
Isso não estava em seus planos, mas ela confiava nele. Talvez ele tivesse lido os seus pensamentos, e faria esse beijo parecer uma forma de enganá-la depois. Lucy tentou parecer rebelde e ofendida, mas na verdade estava se deliciando com o jeito rude com que ele a beijava, se apossando sem gentileza, sem pedir permissão, só exigindo.
As mãos fortes a abraçaram de uma forma, como se ele nunca mais fosse permitir que Lucy se afastasse; o calor do corpo dele se irradiando pelo dela, a respiração rápida dele retumbava em seu peito forte. “Aposto que ta pensando em mim te comendo.” Ele sussurrou contra sua boca.
Lucy quase perdeu a compostura. “Seu maldito tarado por grávidas!” pensou, sentindo a ereção dele em seu ventre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO