Lucy
Respirando fundo, ela olhou para Sam ao seu lado, a amiga estava dirigindo seu carro, como foi instruído, para denotar como Lucy estava afetada. Tinham estacionado na vaga privativa do estacionamento, reservado a diretoria. Assim que chegamos, notamos que as câmeras de segurança focaram o carro dela.
- Você consegue. – Sam disse baixinho, apertando suas mãos num gesto encorajador.
Ela apertou o envelope em suas mãos.
As fotos chegaram disfarçadas de correspondência comum, em sua casa. Ao abri-las, Lucy sentiu uma raiva intensa borbulhar em seu interior. Astrid tinha enviado as fotos mais obscenas que poderia imaginar, para parecer que Vitório era um sádico viciado no corpo dela. Se não conhecesse bem o seu marido, e não soubesse de sua natureza como dominador, poderia até ficar mexida com esse aspecto, mas agora sabia que Vitório era um Mestre, e era assim que ele se portaria com uma mulher sob seu domínio.
Apesar disso, ver aquelas imagens foi como se torcesse o seu coração. Vitório e aquela mulher juntos, nus, transando em posições intrincadas, com acessórios desconhecidos, causaram uma náusea angustiante em seu estômago.
Mas era esse o objetivo daquela vadia asquerosa, e não deixaria que isso a abalasse. Comunicou Vitório como ele instruiu, e se arrumou com esmero e elegância para ir até a Acrópole, como tinha que ser. Amélia iria buscar Olavo mais cedo na escola, para prevenir qualquer tentativa de Astrid de tentar se adiantar e usar o menino para se aproximar de Vitório, depois que soubesse que o casamento não estava bem.
Agora que estava aqui, tentava não demonstrar sua raiva. Puxando o ar devagar tentou pensar ao máximo como a mulher traída e humilhada que tinha que interpretar.
- Isso, esqueça a raiva e a vontade de torcer o pescoço daquela vadia. Quando a pegarmos você vai poder fazer isso. Agora seja a mulher destruída que ela espera.
- Ok. – ela respondeu, abraçando Sam com uma expressão desolada. A câmera de segurança fixa na janela de seu carro.
Devagar, desceu do carro, ajustando a roupa, e fungando. Suas lágrimas vieram facilmente, mas não era de dor, como parecia, era de raiva e ciúme.
Caminhou até a entrada que levava ao primeiro piso da holding. Ela atravessou o saguão de mármore da Acrópole com passos incertos e curtos. Não esperou que a recepcionista a anunciasse, e ninguém barrou sua entrada. Todos sabiam quem ela era. A senhora Lucila Darius, esposa de Vitório Darius, o CEO daquele império.
Quem olhasse para ela, poderia supor que sua elegância clássica e refinada fazia jus a sua posição, mas por dentro tudo estava quebrado, sob a máscara, ela era só o fantasma de uma mulher destruída. Era isso o que aparentava para todos que cruzavam seu caminho, principalmente as câmeras, que acompanhavam seus movimentos.
Acionou o elevador da presidência, fechando as mãos em punhos, fungou tentando conter as lágrimas que queimavam os seus olhos, virando o rosto para a câmera. Seu corpo tremia, o coração batia tão forte que chegava a ecoar nos ouvidos, abafando o som dos saltos que pareciam perfurar o chão brilhante.
Cada passo era uma punhalada contra o peito que já não sabia como respirar. A dor dilacerava seus pulmões, ela apertou os olhos com força, consumida pelo gosto intragável do engano e da desilusão. Lucy viu que todos que a encontravam, a olhava com respeito, mas ao mesmo tempo com pena.

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