Luigi Leoni
POV
Não sou um santo, assumo que gosto de diversificar quando o assunto é conquista, mas devo dizer que não esperava me interessar por uma ragazza como essa. Bianca não é o meu tipo, nem de longe.
Ela é baixa, morena clara, seu corpo parece magro demais, sem contar no descaso com o autocuidado que bem evidente. Além disso, ela tinha marcas de alguma queda recente na cabeça e no rosto, o deixando com um hematoma.
As mulheres que me atraíam eram beldades voluptuosas, com curvas que me fartavam de prazer. Com os sedutores, elas me fascinavam e eu degustava seus jogos de sedução, como a um bom vinho.
Essa moça não tinha aquela sensualidade direcionada a mim, seus olhos límpidos e ingênuos, eram como os de uma corsa, ansiando por água. Me peguei desejando que ela olhasse como as outras, que correspondesse ao jogo de sedução que criei.
Entretanto, ela não o fez.
Tentei descobrir se aquela expressão triste e desamparada era só uma artimanha para fisgar o meu primo, afinal de contas Ticiano era o cara com quem toda mulher quer se casar. Esse era o desejo da maioria delas, inclusive o de uma CEO que metia medo em todos homens com um simples olhar, a famosa Rainha de Ferro, Camila Camargo.
No entanto, percebi que li errado a situação em que a bella ragazza estava envolvida. Ela olhava para Ticiano com certa adoração, mas não havia nenhum traço de desejo naqueles olhos de corsa.
E eu quis despertar nela tudo, tudo o que fosse para mim.
Bianca parecia não perceber minhas tentativas de me aproximar, e eu não queria me afastar dela.
Quando Ticiano praticamente me expulsou do apartamento, fiquei furioso. Que direito ele tinha sobre ela?! Nenhum!
Ele me mandou ficar longe pois Bianca estava passando por momentos difíceis e não precisava de um cafajeste para arruiná-la ainda mais. Aquele babaca do caralho.
Ticiano só queria me fazer desistir de conhecer Bianca, mas eu não podia simplesmente ignorar o fascínio que os olhos atormentados dela exerceram sobre mim. Orquestrei uma “fuga” com ela, para um almoço a dois, onde poderia sentir quem ela era sem a sombra do meu primo.
O almoço revelou uma experiência inexplicável. Quanto mais Bianca falava sobre as coisas que nunca tinha feito, comidas que nunca provou e lugares que nunca conheceu, mais eu me via envolvido naquela gravidade que me atraía para ela. Nunca conheci ninguém tão simples, tão autêntica e tão desprovida de defesas.

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