Vitório
O happy hour seguia em um clima bem diferente da última vez que esteve com Hans Andersen.
Por algum motivo oculto, ele os convidou para beber no clube em que jogava tênis atualmente. Ícaro ligou, chamando Vitório e Alberto para se juntar a eles, já que Ticiano foi para casa cedo hoje.
Vitório preferia ir para casa e ficar com sua esposa e filho, mas quando Lucila soube que era Hans quem o convidou, ela insistiu para que ele fosse, na esperança de saber algo sobre Bettany Clintwood, a possível meio-irmã de Lucy.
Ele duvidava que o homem falaria da mulher que agora evitava qualquer contato com Lucila. Mensagens, e-mails, ligações; ela as ignorou completamente, fazendo Lucy se sentir ainda mais culpada.
A próxima rodada foi servida e enquanto sorvia um Barolo de sua preferência, se limitava a ouvir a conversa de Alberto, Ícaro e Hans. Os três falavam sobre a aquisição que fariam de iates potentes, o último lançamento que esbanjava luxo e poder.
- Pretende batiza-lo esse ano ainda? – Alberto perguntou, pedindo mais uma vodka. – O mediterrânio é o melhor lugar, e o seu quintal.
- Não estava nos meus planos, mas férias fora de época nos fará bem. Talvez o mar e o sol a faça ver que não é tão ruim assim ser a minha esposa.
Os irmãos se entreolharam, num misto de surpresa e descrença. Aquele homem cheio de si, com pompa de rei, nunca abriu a boca para falar nada sobre sua vida pessoal, e não admitia que ninguém se metesse em sua privacidade. Como agora, tocava nesse assunto, totalmente a vontade em falar de uma nova esposa?
- Pensei que fosse casado com a Astrid. – disse Alberto, com uma expressão de zombaria.
“Esse idiota. Só ele para pisar nesse campo minado.” Pensou Vitório, atento às expressões de Hans. O homem olhou para o líquido em seu copo, com um olhar feroz.
- Já cuidei disso. – ele respondeu acidamente. – A propósito, ela usou grande parte de uma conta que concedi a ela na Suíça. Provavelmente pretende uma revanche contra o Vitório e aquela pobre empregada que a queimou. – Hans riu cruelmente. – Aquela vadia enlouqueceu quando viu que o rosto ficou totalmente desfigurado.
- Sabemos para qual finalidade ela usou o dinheiro. – Vitório respondeu secamente. – Se fôssemos informados que ela dispunha de recursos, seria mais fácil rastreá-la e detê-la.
- E que graça teria nisso? – Hans rebateu, com um olhar astuto. – Quero que ela seja encurralada cada vez mais, terei o prazer de executá-la no momento em que for pega.

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