Lucy
A caneca de leite morno nas mãos de Beth tremia.
Lucila temia que ela se queimasse com o líquido a qualquer momento, mas não podia simplesmente tirar de suas mãos e pedir que se acalmasse. Só o fato dela estar aqui, em sua casa, em uma noite escura de calor intenso, já era absurdamente irreal.
Quando o segurança ligou, dizendo que tinha uma moça com aparência suspeita, no portão, perguntando pela Sra. Darius, ela nunca poderia imaginar que se tratasse de Beth. Após verificar as imagens das câmeras da entrada principal, que eles lhe enviaram, soube que a moça vestindo um macacão de operário e um capacete, era na verdade sua possível irmã.
A buscou com o carro, tentando não pensar nos motivos que levaram Beth a aparecer assim. Depois de recebê-la, ela só chorou por um longo tempo em seus braços, como se toda a esperança do mundo a tivesse abandonado.
Lucy a consolou por mais de uma hora, e sem força-la, a levou até a sala de estar e pediu que Mila servisse o leite quente como uma opção reconfortante.
- Sei que disse que era impossível que fossemos irmãs, mas eu não tinha outro lugar que pudesse ir... – Beth começou, seus olhos castanhos fixos no líquido branco. – Qualquer outro lugar seria fácil para ele me encontrar...
- Você pode contar comigo para tudo. – Lucy afirmou, olhando com sinceridade. – Não conseguimos fazer o exame, mas eu sinto dentro de mim a mesma coisa que você sentiu. Somos irmãs, e podemos resolver isso.
Os olhos angustiados e tristes de Beth ficaram surpresos.
- Acha mesmo que somos? – duas grossas lágrimas desceram por sua face delicada. – Eu achei que aquela visita foi somente para manter a boa relação de negócios.
- Não foi. – Lucila disse, se levantando e se sentando ao lado dela.
Com cuidado tirou a caneca das mãos trêmulas de Beth entre as suas. O olhar gentil e afetuoso de Lucy encontrou os da moça.
- Se ainda quiser, depois podemos resolver essa questão do exame, mas agora, você é a prioridade. Me conte tudo, querida.
Beth irrompeu em lágrimas novamente.
- Eu sei que não deveria ter fugido, mas eu precisava sair de lá. Não posso fazer isso, ela virou a mão esquerda e então mostrou uma aliança de ouro, cravejada de diamantes.
- Beth... você se casou? – perguntou desconcertada. – Quando?
Percebeu que ela e Hans Andersen pareciam ter um tipo de relacionamento que ia além do profissional, quando a visitou para pedir desculpas. Mas nunca pensou em casamento, primeiramente porque Hans ainda era publicamente casado com a louca da Astrid.
- Tem quase um mês... – ela disse num tom baixo, baixando os olhos para suas mãos unidas, como se buscasse forças naquele gesto. – Não posso continuar com isso, tudo não passa de uma mentira, de uma humilhante enganação.

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