Lucy olhou para Beth, com seu coração apertado. Tinha tantas coisas que queria dizer a sua irmã, e agora, tudo o que podia fazer era ouvi-la e ser para ela tudo o que precisava.
- Me senti tão boba em pensar que poderia conquistá-lo, e mesmo assim não conseguia enfrentá-lo. Voltei para o quarto e fingi que estava arrumando as coisas. Quando ele voltou, me disse que a noite passada foi um erro, mas que não deveria me preocupar, pois ele ia assumir a responsabilidade. – Beth levantou os olhos profundamente tristes para Lucy. – Eu não conseguia acreditar que ele estava me tratando como se eu fosse um problema em suas companhias a ser resolvido. Disse que não era necessário, que eu poderia ir embora e seguir em frente. – Ela limpou o rosto novamente. – Foi quando ele disse que isso estava fora de questão, que prometeu ao meu pai que cuidaria de mim. E agora que tinha tirado a minha virgindade, me faria sua esposa, como tinha que ser.
- Mas isso não é solução, é como se ele estivesse te ordenando que se case com ele, para acabar com o problema.
- Também penso assim, e eu falei que não queria. Me recusei e pedi que meu tio o convencesse a me deixar ir, mas quando meu tio soube que estávamos envolvidos, ele me disse que não podia ajudar, pois eu tinha feito a escolha de ceder ao Hans. – ela inspirou profundamente. – Tentei evitá-lo pois aquela dor de ser só alguém que esquentou a cama dele por uma noite estava me consumindo, eu me sentia patética demais para olhar para ele. – Beth levantou o olhar, havia tantas emoções ali. – Mas ele não era do tipo que aceita não como resposta, e depois daquilo, minhas coisas foi levada para a suíte principal e ele anunciou para todos os funcionários que eu era sua mulher. – Os lábios da moça estremeceram, enquanto ela tentava reprimir novas lágrimas. – A pouca dignidade que me restou, foi quebrada quando ele me levou para o quarto e ...e.... me fez dividir com ele uma vida matrimonial, mesmo sem repetir o ato sexual.
- Então...ele te forçou a se casar? – perguntou Lucy desconcertada.
- Não exatamente. Apesar de saber o que ele estava fazendo, eu não conseguia recusar nada do que ele me mandava fazer. Esse sentimento tolo me escraviza, Lucy... – seus olhos marejaram novamente. – Eu amo... eu o amo como uma tola...
Lucila a abraçou forte.
- Não fica assim, nós vamos dar um jeito nisso. – Segurou seu gosto apático em suas mãos e o enxugou com os polegares. – Você não está mais sozinha, Beth. E se ir embora, é a forma que encontrou para blindar seus sentimentos e esquecer um homem que não te ama, eu vou te apoiar e ajudar.
- Hans é um homem que não aceita ser contrariado, sua palavra é lei. Ele nunca mudaria de opinião, e eu não consigo imaginar a minha vida e a do meu filho sem amor. Como eu poderia trazer uma criança ao mundo, em um casamento onde fingimos ser um casal, onde o pai do meu bebê me vê como um erro?!
- Uma criança precisa de um lar estável emocionalmente, e essa situação não seria adequada nem para você e nem para o bebê.
- Por isso eu aproveitei que ele demorou para voltar essa noite, e usei o uniforme de um dos rapazes da manutenção para poder sair. Foi difícil sair da garagem, com o carro da lavanderia, mas eu precisava sair de lá. – ela olhou para Lucy com aquela expressão despedaçada. – Não suportaria continuar sendo a sombra obediente que ele quer no lugar de esposa, não posso mais lidar com sua frieza. Isso está me corroendo por dentro.
- Não precisa explicar mais nada, querida. – Lucy disse com firmeza. – Ele feriu seus sentimentos, e te manipulou. Você tem todo o direito de assumir o controle da sua vida e fazer por você e por esse bebê, o que deve ser feito.
- Lucy... obrigada. – ela murmurou entre lágrimas, e uma sombra sutil de sorriso surgiu. – Eu...eu não sei como te agradecer por me receber...por me ajudar...
- Você é minha irmã, Beth. Não tem que agradecer. Deixe tudo comigo. – ela disse, a abraçando de novo.
Longos minutos se passaram em que apreciaram aquele abraço repleto de carinho, até que um dos bebês de Lucy chutou forte, e as fez se afastarem , sorrindo ternamente.
- Como está o seu bebezinho? Ele parece bem forte.
- São eles. – ela corrigiu sorrindo amplamente. – Estou esperando dois bebês, mas não são gêmeos. – vendo a expressão confusa de Beth, ela disse suavemente, enquanto se levantava. – É uma história inédita, depois eu te conto. Agora vou pedir a Mila que prepare um quarto confortável para você e uma boa refeição leve. Uma grávida não deve perder peso desse jeito, está ainda mais magra do que da ultima vez que te vi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO